segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Plágio na moda praia?


Ontem saiu uma reportagem no Jornal da Globo sobre a história de uma artesã que após criar um modelo de biquíni super diferente - teve sua ideia copiada e escalada em proporções de indústria chinesa para os Estados Unidos. O modelo que ela criou é facilmente encontrado no Brasil e já tem até video no YouTube ensinando a reproduzi-lo.

 Diante da popularização deste modelo, assim como de outras criações dos anos 1970 e 1980 como o "fio dental", o "cortininha" e o lacinho que se destacam pelas suas características da modelagem / shape, fica a pergunta sobre as fronteiras entre tendência de moda e cópia e como discernir e caracterizar cada uma.
  Com o crescimento do setor textil vem aumentando também a demanda por estudos na área do direito da moda ("fashion law") - que mescla diversas áreas do direito para o estabelecimento de parâmetros de proteção para os criadores, já que não existem regulamentações nem jurisprudência específicas que dêem conta das demandas de uma indústria que no Brasil já representa o maior parque de confecção do mundo e é o maior empregador da indústria da transformação.
  Este episódio envolvendo a artesã criadora dos biquínis e o mercado de moda x plágio é uma ótima oportunidade para o Brasil se posicionar com relação às leis brasileiras de autoria, registros, patentes, marcas e o combate “anti plágio na moda”. 
Nos últimos anos, a quantidade de marcas de moda praia aumentou exponencialmente em um ritmo global surpreendente. O Brasil tem a reputação de ser criador e lançador de tendências, sendo o Rio de Janeiro detentor de um  "DNA" da criação; não é por acaso que os números sobre a Indústria Criativa do Rio se destacam. Diante da revolução de um segmento antes tido como secundário - para um lugar de nobreza na indústria, nosso biquíni é tido como benchmark nacional reconhecido internacionalmente pelos impressionantes números de produção, consumo interno e exportação.
Dito isto, não é de se estranhar que a moda praia brasileira comece a ser copiada nos países que também consomem o produto: onde a cultura de praia tem seus contornos na cultura do corpo.
Foi o caso do modelo “Asa Delta” que já completa quase 5 décadas - de autoria do Cidinho Pereira empresário da marca Bumbum Ipanema; recentemente em matéria na revista Vogue Brasil (Janeiro, 2019), o modelo teve destaque, contudo, o nome do seu criador não foi lembrado, talvez porque o modelo já está tão enraigado no imaginário e incorporado ao repertório de estilo do segmento que acharam supérfluo citar sua origem. Será que o criador pensa igual? O que se sabe é que o mercado da moda se apropria do que alimenta a efemeridade do consumo constantemente - parafraseando Lipovetsky, então, de tempos em tempos surgirão releituras e "inspirações" que estão certamente em uma categoria mais "digna" comparado às réplicas descaradas.
A questão que proponho uma reflexão gira em torno de uma "disruptura" no contexto da moda como um todo, talvez, para este setor do Brasil ser levado mais à sério, seja necessário reforçar o auxilio aos criadores para que eles consigam com mais facilidade registrar suas ideias e produtos e que haja maior manutenção da fiscalização e dos dispositivos legais que atuem dando suporte nas investigações e processos judiciais - contra a indústria “usurpadora” dos criativos. Vale lembrar que existem também enormes entraves para o processo de registro,  os próprios representantes do INPI reconhecem os problemas gerados pela demanda e prazos longos. 


Talvez meu texto soe um pouco alarmante, mas não é. Enquanto pesquisadora, criativa e com trajetória iniciada no varejo de moda - passei por várias experiências de projetos usurpados até durante a faculdade, colecionei decepções ao sentir na pele a injustiça de ter uma ideia ou projeto roubado de forma grosseira e notória ao longo dos últimos 20 anos.

Vejo como um passo muito positivo o escândalo que repercutiu até no NY Times vivido pela paulista Solange Ferrarini. Espero que ela ganhe a ação e que saia muito caro para quem copiou! 

Que repercuta bastante para a gente continuar liderando não só em  termos de criatividade mas também de produção e mercado. A ética às vezes vêm com a imposição das leis e aplicação das penalidades nessa moda praia de um oceano vermelho.

Janara Morenna, Estudante de doutorado, Departamento de Artes e design PUC Rio.

Obs: Gostou do texto? Compartilhe com referência e de preferência sem usar para captar mailling list já que não é conteúdo seu. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Do bikini ao biquíni, um pouco da história dessa moda


Todo corpo contém inúmeros outros corpos virtuais que o indivíduo pode atualizar por meio da manipulação da sua aparência e de seus estados afetivos. (...) Roupas, cosméticos, atividades físicas formam uma constelação de produtos cobiçados destinados a ser o camarim onde o ator social cuida daquela parte como se fosse um cartão de visitas de carne e osso. (Le Breton, apud Stéphane Malysse, 2002, pg.79).

Foi a partir de D. João VI no século XIX que a praia-terapia se popularizou sendo incorporada na rotina dos cariocas. Na altura, João VI possuía uma prescrição médica com todas as recomendações para o banho que curaria seus problemas de pele, (inflamações causadas por mordida de carrapato). 
Desde então a “cultura de praia” começa a ter seus contornos no Brasil, sendo estimulada e institucionalizada a receber banhistas em barcas de banho: camarotes separados, forrados em cobre e suspensos por correntes de ferro. Para ter acesso ao famoso banho terapêutico o banhista deveria pegar antes um bote até chegar às engenhocas. Com o passar do tempo essa ideia inicial foi modernizada e os caixotes passaram a ser cabines de banho, muito comuns nas praias, encontradas até hoje na pequena praia da Urca, que serviam para a troca da roupa pelo traje de banho, nelas haviam frequentes avisos do tipo: “É expressamente proibido fazer furos nestas cabines; os encontrados serão entregues à polícia” (Del Priori, 2013, pg. 226).
Antes da década de 1920, uma pele morena era considerada vulgar por brancos ricos, porque essa cor estava associada a trabalho físico sob o sol. Nos anos 20, porém, americanos ricos começaram a passar férias na Riviera francesa, e logo se tornou moda estar bronzeado (Svendsen, 2004, p.99).
Tal “inversão de valores” atribuídos à cor da pele mudaria também toda a organização de tempo no espaço social. Ter status e conforto material passaria a significar ter tempo de ócio para a exposição ao sol, entretenimento social e práticas esportivas, que resultaria na revolução de costumes e que permitiria a distinção social através da aparência física bronzeada e torneada pelo esporte. Essas mudanças de hábitos contribuíram para o surgimento dos primeiros trajes de banho, que naquela altura foram considerados um insulto à moral, pudor e decência. Cabe dizer que em outras épocas os Egípcios e Romanos já utilizavam o método da helioterapia, assim como no sul da península Itálica (nos séculos IV e V) os trajes de banho, similares ao tomara que caiae calcinha de biquíni também já eram usados, porém o objetivo era a prática de esportes, pois eles tomavam nus os banhos de mar.

Severas leis de convívio eram implementadas para se frequentar a praia. Enquanto o maiô gerava escândalo (à partir de 1917) a ida à praia era regulamentada: os horários eram restritos e haviam códigos para a vestimenta tudo conforme a norma moral da época, que impedia trajes considerados indecentes. Até mesmo a entonação da voz era controlada, era proibido falar alto nas praias. Tal lei foi logo derrubada apenas com um ano de existência. Copacabana teve seus primeiros postos de salvamento no ano seguinte, em 1918, enquanto que Ipanema era uma praia inexpressiva para os banhistas da época.
O período que se seguia, os anos loucos de 1920 foram marcados por reformistas, inconformistas e ativistas. O Brasil acompanhou esse período e as transformações causadas pela queda da hegemonia europeia quando os holofotes do mundo se voltavam para os Estados Unidos, que graças ao cinema disseminava sua cultura, como colocado pelo professor Ivo Pitanguy em entrevista para esta pesquisa. As mulheres se baseavam no modelo hollywoodiano de comportamento social, nos modismos e claro, nos padrões de beleza vigentes da época. Eram influenciadas pelas heroínas consideradas ousadas para época. Trabalhar, dirigir, fumar, praticar esportes eram práticas consideradas transgressoras, portanto, serviam de fonte de inspiração e modelo de vida.

Janara Morenna, doutoranda PUC Rio, Depto de Artes e Design e pesquisadora do Bikini Art Museu - Alemanha.

Trecho extraído da pesquisa de mestrado: link PDF completo  
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Vídeo YouTube "100 Years of Swimsuits | Condé Nast Traveler""

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Rio Moda Rio, o evento que quer resgatar a memória da moda carioca.

Os amantes da moda carioca que lamentam a falta de espaço para promoção dos nomes estrelados do mercado podem comemorar: em um espaço curto de tempo o Rio de Janeiro recebeu 2 grandes eventos que pretendem se tornar parte da agenda oficial anual da moda no Brasil. 
foto: Instagram  beto silva
Esta semana o Rio Moda Rio realizado sob curadoria do estilista Carlos Tufvesson em parceria com a FIRJAN e patrocinado pelas revistas Elle e Bazar apresentarão durante três dias no Píer Mauá um evento coordenado com palestras, desfiles e bazar. Ou seja, moda com conteúdo para aquecer o mercado carioca. O target do evento não se restringe a compradores, foram escolhidos muitos blogueiros famosos e influences do metier da moda. Falando em Metier da Moda, este foi o nome dado para o evento criado por mim há alguns anos com objetivo de incentivar novos criadores. Esse formato que contempla moda e informação é sempre um gancho excelente para alcançar diversos públicos e chamar a atenção para mídia olhando o campo da moda com mais profundidade nas discussões que emergem dos contextos de bate-papos.
foto: cláudio cadeco
DIA 15CASA DO SABER
Horário: Das 16h30 às 17h
Tema: À moda da telinha. O poder das telenovelas e minisséries televisivas. Figurinistas, figurinos e personagens que difundem o estilo carioca para o Brasil e para o mundo.Mediação: Marcia Disitzer. Convidadas: Ellen Milet, Helena Gastal e Marie Salles (figurinistas da Globo). Ellen Millet assinou recentemente o figurino da novela ‘Verdades Secretas’, Helena Gastal esteve à frente do figurino de novelas como ‘Império’ e ‘Babilônia’, e Marie Salles, de ‘Avenida Brasil’, entre outros sucessos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Impressões do Congresso EmTech Brasil pela primeira vez no Rio de Janeiro


#emtechbr twitter 
A escolha do ambiente, Cidade das Artes na Barra não poderia ser melhor, apesar do trânsito que infelizmente já virou rotina para os cariocas, valeu muito a pena ver de perto e por dentro da construção imponente e desconcertante em suas linhas e volumes distribuídos de forma quase aleatória em um diálogo com a cidade e a natureza, mix que dispensa comentários quando se trata do Rio de Janeiro.
As palestras foram bem coordenadas, na maioria das vezes com visões complementares, poucas tiveram discursos antagónicos, que tiveram também sua importância dentro de um cenário em que certezas absolutas não permitem uma visão global, macro e complexa.


Cabe dizer que tais impressões são fruto de uma visão particular, não como pesquisadora e sim entusiasta do movimento do empreendedorismo que ocorre mundialmente. Pude ir como imprensa para fazer essa cobertura de impressões neste blog. No evento havia muita gente da PUC (pesquisadores e alunos), funcionários e empreendedores do Instituto Gênesis assim como diversos perfis de entusiastas de outros estados e países. 
A abertura do evento teve fala do diretor da MIT Technology Review - Jason Pontin, e teve como questões balizadoras os temas: Como vencer os desafios dos próximos anos? Como ter água, educação e prevenção de doenças em 2050?
"Tais questões são um tremendo desafio, a reposta nós não sabemos mas algumas soluções podem mudar radicalmente a vida das pessoas e essas soluções são parte de um esforço global que podem vir muitas vezes de novos empreendedores ao redor do mundo".
Teve a presença ainda de representantes do governo do Rio e prefeitura com patrocinadores como a Finep, o tônica central dos discursos girou em torno da integração da cidade olímpica, Rio 450 anos com planejamento estrarégico integrado a universidade, empresa, governo e sociedade para gerar a inovação. O desafio é tornar o Rio patrimônio do mundo não só pela sua beleza mas sim pela inovação, gestão, informação em tempo integral e plano de mobilidade.

        Viver em uma Cidade Inteligente, hoje.

No primeiro painel composto por Erin Baumgartner e Pedro Junqueira (moderado por Ronaldo Lemos):
Erin (diretora adjunta do Senseable City Lab do MIT) falou de sua pesquisa de como sistematizar as informações sobre a interface entre cidades, pessoas e tecnologias para implementação de escalas urbanas, organizacionais e individuais. A apresentação mostrou diversos mapas de trânsito de pessoas que podem por exemplo ajudar a colocar no lugar certo mais taxis onde as pessoas precisam, tudo isso usando inovação e Big Data. Para tal ela usa o Design como facilitador para mostrar de forma inteligível para que seja um mapa interativo. Foi perguntado a Erin sobre como podemos melhorar a tecnologia para que não aconteça por exemplo do Waze mandar o motorista entrar em uma rota perigosa como em pontos de drogas, como tratar essa interação em países com tais problemas - países em desenvolvimento. Para Erin isso é irônico pois em muitos países em desenvolvimento muitas vezes há um salto tecnológico, a tecnologia chega de ponta, as vezes mais avançada que nos EUA, como é o caso (citou um case) da Africa.
Pedro Junqueira, chefe executivo de Resiliência e Operações, Prefeitura do Rio de Janeiro: Pedro contextualizou a escolha do termo "Resiliência" usado com sentido de prevenção e proatividade já que existia uma cultura na cidade de "apagar incêndio" o tempo todo e isso acabava colocando em segundo plano as ações de planejamento de prevenção de acidentes e acontecimentos que precisam de atenção. Foi perguntado a ele sobre a questão da privacidade em relação ao centro de operações, a resposta foi que muitos dados fornecidos por parceiros como os novos empreendedores são mantidas em sigilo e não são repassados (ele garantiu pessoalmente isso), exatamente por este motivo eles apoiam que novos empreendedores conquistem seu lugar ao sol para ajudar a implementar sistemas que complementem as demandas da prefeitura, em especial do Centro de Operações.
Ao ser indagado sobre o acesso as centrais ligadas a prefeitura que confundem as pessoas (diversos números e setores) foi dito que o maior medidor de acontecimentos com impacto na cidade ocorre através da parceria entre a sociedade (o cidadão comum) e a imprensa, no que o twitter seria um ótimo medidor para alertar ocorrências. Neste caso ficou estranho, comentários sobre "vou ensinar meu pai de 80 anos a mandar um twitter para o Centro de Operações" surgiram. Em tempo, este é o Twitter alert: #operacoesrio para comunicação.

Tecnologia e inovação de uma perspectiva governamental - Estados Unidos e Brasil  

 Kenneth Hyatt, Subsecretário adjunto de Comércio Internacional do Departamento de Comércio dos EUA. A ideia principal para inovação é comercializar ideias, o que as companhias precisam para criar oportunidades incluindo pesquisa (P&D), integrando universidades, investindo em educação ciência e tecnologia para compor a inovação. Eles fazem investimentos promovendo  linhas de suportes de inovação, um exemplo de Open Data Service de tempo (meteorologia) nos USA. Para ele o governo pode inovar quando dá subsídio a inovação.
Luis Manuel Rebelo Fernandes, Cientista Político. O Brasil como em desenvolvimento não tem o mesmo nível de inovação em termos de tradição. Para eles (USA) como lugar de inovação o estimulo a inovação é sistemático, cada vez mais para a potencialidade de competição. Mesmo um país como USA vc precisa do suporte do governo, (imagina no Brasil?), por isso precisamos de programas públicos de suporte em inovação do governo em parceria com universidades e instituições como Cnpq, Finep, Capes, para ter instrumentos para promover inovação junto com empresas como Petrobrás. Com relação a novas empresas, as Startups, como menor risco de inovação o governo tem que dividir esse risco para ajudar esses empreendedores. 
A inovação pode ajudar a democratizar a tecnologia social, com a ciência e a tecnologia temos instrumento para melhorar a diferença social e gerar impacto real.  

Mediador: Como encarar os desafios do aquecimento global? 
Kenneth: Temos que adaptar soluções e identificar mais para onde as coisas vão, investir em onde as coisas das industria vão parar e quais os problemas as empresas estão enfrentando para energia eficiente. 
Luis: As condições para enfrentar tais desafios a partir de novas tecnologias são o apoio público, precisamos inovar em programas, agora já temos como incubar negócios em universidades (Instituto Gênesis por exemplo), investir em programas para iniciar uma parte desse movimento para fazer parte de materializar isso, temos o mesmo objetivo, trazer novas práticas  tecnologias e conceitos de mercado, acho que isso é desafio no mundo, trazer inovação para promover crescimento econômico na sociedade. 
Kenneth: Temos que trabalhar para simplificar o entendimento entre as empresas tornar fácil para os negócios, simplificar, trazer o Terceiro Setor, promover a comunicação e regularizar pequenos empreendedores. 

Big data e medicina personalizada

Renata Coudry, coordenadora médica do Departamento de Anatomia Patológica do Hospital Sírio Libanês
Leo Celi, fundador e diretor de MIT Sana
Moderado por: Kathleen Kennedy, presidente da MIT Technology Review e do MIT Enterprise Forum.
Renata: Mostrou como que a tecnologia diminuiu os custos para pesquisa na medicina, o  foco dela é a pesquisa sobre o o câncer. O que esperamos com isso? Que nós como indivíduos precisamos saber mais sobre nós mesmos, mapeando nosso corpo, células etc. precisamos aprender mais, dividir mais, precisamos mudar a forma de pensar, mudar o entendimento da medicina hoje, temos que inovar no jeito de pensar pois fazemos o mesmo há muito tempo.
Leo Celi: Health Care não é só sobre doenças, tem muito com o social, estilo de vida, economia, tecnologia. Ele quer nos próximos 5 anos ouvir mais sobre inovação em medicina personalizada e sobre colaboração entre países. 
A plateia fez uma pergunta sobre o conflito de interesses entre a indústria que lucra com a doença, como podemos evoluir nesse contexto: A reposta foi que a prevenção é a chave pois temos esses dois lados, contudo, a prevenção é muito difícil, é um desafio com muitos obstáculos.

        Demonstração: impressão 4D

Infelizmente o palestrante Skylab Tibbits, Diretor do laboratório Self-Assembly do MIT não compareceu, foi passado um video em que ele gravou seu processo de trabalho no lab, quem desejar obter o audio completo da sua fala entrar em contato com janaramorenna@yahoo.com.br, seguem algumas impressões e imagens: Seu trabalho consiste em desenvolvimento e experimentação de tecnologias de automontagem e materiais programáveis. Vimos construções de objetos que se auto organizam no espaço, como por exemplo cubos que ao flutuarem no ar podiam ir se reunindo de forma a formar um cubo maior e exato. Tais experimentos são realizados a partir da observação de materiais orgânicos (na natureza). 




Inteligência Artificial

Laisa de Biase, Pesquisadora do Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas da Universidade de São Paulo (USP)
Moderado por: Naldo Dantas, Secretário Executivo da ANPEI- Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras.
William Mark, Vice-presidente da SRI International: 
Para o Willian o desenvolvimento de novas tecnologias como pesquisa não tem foco comercial pois este seria um fator que atrapalha muito a inovação na interface com as instiuições de ensino, mas eles contam com a ajuda de parceiros. Fiquei impressionada com um exemplo de inteligência artificial (vídeo exibido) em que um casal esta fazendo compras e a mulher fica perguntando ao marido coisas tipo: quantas pessoas vão ao jantar, o que tem na geladeira e quanto podem gastar, ele fica respondendo tudo até que aparece a máquina que substitui essa tarefa chata (as feministas mais ouriçadas certamente não iam achar o exemplo dos melhores, quem disse que são os homens que dão conta dessas questões? E se sim então poderiam ser descartados nesse quesito de "utilidade" rs). Para não entrarmos em discussões polêmicas vou focar na mensagem principal: Com inteligência artificial ganhamos tempo em não nos preocuparmos com atividades domésticas cotidianas.
No futuro (bem próximo) vamos ter as maquinas que vão entender nossas emoções e isso ajudará muito a otimizar tempo e resolver problemas. A barreira maior entre maquina (robô) e humano é a confiança.

Como a tecnologia mudará o telejornalismo 

Rafael Coimbra, repórter especial da GloboNews e coordenador do Labmidia.com
Jason Pontin, diretor e editor da MIT Technology Review  
A fala do Rafael foi muito empolgante, ele é um ótimo palestrante e conseguiu da ruma boa ideia do que esta por vir: Realidade virtual ao vivo? pode ser uma pessoa mas pode ser um drone. Além de ver como quero, do angulo que quero com realidade virtual, porque não sentir? (uiii). - Rafael falando da co-autoria e quase que co-design do jornalismo interativo com uso de tecnologias como robótica, realidade virtual, 3D etc.)
E por que não automação? já tem jornalista robô, vão trabalhar assim com jornalista e multimídia, por exemplo para detectar padrões de twitter para mapear onde esta dando impacto? O Periscope, por exemplo, precisa de inteligência artificial. Vai ter bizarrices do tipo roubar as expressão de outra pessoa usando o avatar dela (a cara dela).
Qual o futuro do jornalista?  Trabalhar com multiplataforma, multimídia como gerenciador não “jornalista”, essa palavra é arcaica, vem de jornal. Essas novas tecnologias podem ampliar para diversas áreas, eh uma nova revolução que esta vindo.

 Reformulando o modelo educacional   

Israel Ruiz, Vice-presidente e diretor financeiro do MIT
Carlos Vogt, presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo - UNIVESP
Claudio Sassaki, fundador de Geekie
Moderado por: Pedro Moneo, diretor da MIT Technology Review em Português
Esse painel foi dos mais interessantes, pela dicotomia: de um lado uma visão crítica sobre o ensino e propostas realmente inovadoras e de outro uma repetição do modelo tirando do analógico (sala de aula) e levando para o virtual, isso seria inovação? 
Para Claudio Sassaki o ensino no Brasil não funciona e os brasileiros não aprendem nada. O crescimento de aprendizado do brasileiro é pior que o da Africa e isso impacta a economia por não transformar em produtividade.
Educamos em um modelo em série (massa) com formato para todos tratando de forma igual  pessoas diferentes que podem ser gênios mas não acreditam no seu potencial por conta da disciplinalização. Mandamos nossos filhos para escolas com modelos criados no século 19, a Geekie (empresa criada por ele) usa inteligência artificial para apreender como a pessoa aprende, inverte o processo de ao invés do aluno se adaptar ao conteúdo, o conetúdo se adapta a forma da pessoa aprender melhor.  
Pessoalmente achei a fala dele muito inspiradora com uma contrapartida incrível social, alem de mensurar a real transformação do aluno em termos de qualidade ele replica o método sem custo para alunos da rede publica de cada aluno pagante.
Carlos Vogt: Falou muito de flexibilidade usando diferentes gadgets de informações com aulas virtuais. Em resumo mostrou muitos dados estatísticos e uma proposta de revolucionar o desafio da inclusão na educação por meio do EAD, também inspiradora a fala mas a impressão que dá (opinião) é que um esta mais preocupado com a quantidade e o outro com a qualidade. 
O ensino que hoje é ultrapassado, cujo sistema verticalizado coloca as pessoas dentro de disciplinas excludentes e há um gap de trocas entre as ciências. De um lado vimos um projeto audacioso com muitos big numbers, muita apoio de fomento, Estado de São Paulo etc, com foco em aumentar estatísticas de inclusão no ensino. Do outro lado ouço a critica com relação aos RESULTADOS do sistema em voga e propõe um novo modelo testado e comprovadamente eficiente, Edgar Morin (pai do Pensamento Complexo pode iluminar mais essa questão), então pergunto (ninguém conseguiu fazer perguntas ao final do painel por falta de tempo):
1- Qual a inovação para além da troca da sala de aula para a plataforma multimída (virtual)? 
2- Como o palestrante Carlos garante a entrega com qualidade? 
3- Como mensurar isso? Se o aluno aprendeu?

Segundo dia (19/11) 
Tecnologia e prevenção de desastres
Victor Marchezini, Pesquisador Adjunto do Cemaden
Moderado por: Lindalia Reis, membro do Comitê de Inovação da ANPEI e Singularity University Fellow 2010
David Gascón, Co-Founder & CTO at Libelium  
Para Vitor infelizmente não existe a cultura de prevenção de desastres no Brasil, talvez por conta de mitos que o imaginário cultural produz como por exemplo de que no país não estaríamos sujeitos a problemas como terremotos, maremotos, tsunamis dentre outros. Hoje sabe-se que podemos sim ser expostos a problemas deste tipo, talvez influencia dos efeitos do impacto ambiental, estufa etc. A questão que emerge é: que tipos de tecnologias estão sendo usadas para previnir isso atualmente? Como trabalhar para  redução de problemas naturais, eventos extremos de chuvas etc? A resposta mais sensata esta na investimento para que haja inovação neste segmento.
Explorando novas fronteiras por meio da transformação de  ideias em impacto comercial 
Marco Muñoz, diretor de Iniciativas Globais no MIT

Andre Limp, supervisor de Projetos Setoriais da Apex 

Marco Munoz iniciou a fala apontando alguns números: 76 brasileiros estão hoje no MIT: "precisam de mais". Mesmo sendo uma escola pequena com somente 5 unidades  no mundo, o MIT possui 85 prêmios Nobel. Hoje conta com a escola de humanas pois sem humanas "você não pode ter líder e não pode mudar o mundo".
O sucesso precisa ser pautado no “do good”, ou seja, não importa o que você faça, que seja bem feito e para resolver grandes problemas do mundo. Precisamos de colaboração para isso, “mão e mente”: todos podem ter um grande projeto o jeito de desenvolver e implementar deve envolver a mente e as mãos (o famoso mãos a obra).   
Como conseguimos ser incríveis sendo tão  pequenos? Porque colocamos todos os alunos juntos trabalhando na interdisciplinaridade para resolver os problemas juntos (a fala dele lembra muito a forma como o design junta varias áreas da ciência fazendo a interface entre elas). 
Citou algumas contribuições do MIT no mundo: 
3D printer / bioengineering / www / radar / escolas diversas: Cal Tech, Babson, Singularity, ITA (Brasil) / mais de 100 patentes de somente um professor. 
O legal é que eles tem tudo isso (startup, revista, TLO, escolas etc e eles não tem medo de errar, assim como eles não tem interesse em ficar ricos, o dinheiro nunca está em primeiro plano).
Com relação as patentes,  eles ficam com quase tudo, o inventor ganha uma porcentagem pequena, igual acontece na PUC porque eles assumem o risco e a proposta é a contrapartida social e altruísta: "ideias são como commodities, bancar essas patentes é um bom negocio para o MIT? depende".
Pergunta: vimos crianças pequenas assistindo astronautas em sala de aula,  como internacionalizar isso pois uma experiência dessa se leva para vida...  Resposta: A universidade é boa porque faz boa escolha de seleção de alunos, tem que ter uma boa ligação entre universidade e escola ensino médio, o governo tem fantásticas ferramentas que não são usadas, não podemos ter medo de usar essas ferramentas, eles (MIT) são tão pequenos e conseguem fazer coisas incríveis então com colaboração podemos fazer o mesmo. 
Pergunta: Nao temos patente de software apenas registros, isso causa atraso para o Brasil? Resposta: O desafio das leis são adaptação e aplicação delas (recomendo ler mais as leis para darem subsidio para industria). 
Pergunta: Como ocorre a propriedade intelectual se as duas instituições trabalharem juntas? (BR + MIT): Resposta: A patente é muito cara, tem a licença que eles usam, as pessoas pessoas que vão ate ela são estudantes, quando MIT paga pela patente eles ajudam os estudantes a montar startups, por isso existem tantas lá, os estudantes tem facilidade, não para fazer dinheiro (senão perde tempo) tem que ter uma missão maior para além de ganhar dinheiro, se isso acontecer é fantástico, se os estudantes não usam a licença por alguns anos eles tiram a licença para outros usarem, eles querem implementar não lucrar, gerar contribuição para sociedade. 
Pergunta: O Brasil poderia lucrar muito mais se seguisse o exemplo do MIT, eles poderiam fazer algum projeto aqui? Resposta: Eles não gostam de ter unidade fora de Boston, eles trabalharam em Singapura e foi maravilhoso mas eles não querem criar mais MIT, eles querem que nós criemos aqui as nossas porque acham que os problemas do Brasil precisam ser resolvidos pelos brasileiros. "Indivíduos podem mudar as coisas e não instituições. Vocês podem mudar tudo, fazer melhor, vejam quantos exemplos aqui..." (referindo-se aos empreendedores ganhadores dos prêmios com menos de 35). 
Pergunta: Sobre a insegurança de ter uma ideia roubada, plagiada: Não tenha medo de alguém roubar suas ideias, proteja-a mas comece a trabalhar porque ideia é commodities, eles “roubam" a sua ideia para outra e outra ideia…
Palavras finais, muito inspiradoras:
"Nós temos muito pouco tempo nesse mundo e algo que pode nos fazer feliz é fazer inovação!" (inovação como legado de vida). 
Cerimônia de premiação dos Inovadores com menos de 35 Brasil

Internet para todos 
Alberto Paradisi, vice-presidente de Pesquisa e Inovação do CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
Pedro Doria, colunista de tecnologia do O Globo
Moderado por: Pedro Moneo, diretor da MIT Technology Review em Português 
Pedro nos deu uma contextualização do momento no Brasil e mundo: 
Onde estamos agora? Somos 95 milhões de usuários, metade dos brasileiros usam rede social: exemplo 21 minutos por dia de redes sociais, mais que USA. Celular representam hoje 23% usuários tem internet, 75% dos celulares vendidos são smart phone, mais da metade usa whatsapp (90%), mas tudo pertence ao Facebook e a outra metade ao Google. Usamos o celular a toda hora literalmente (nossa segunda tela após a retina).
Browser vs apps? 86% usam browser. Vai vir dinheiro para internet de outros veículos (falando de aproximadamente 12 bilhões de reais de $ publicitário). Estamos entre os 10 maiores mercados de e-commerce do mundo, ainda ocupa share pequeno de 4% comparado com varejo comum. A crise pegou menos cresceu 15% o que é um crescimento enorme.
Moda e beleza se torna o principal alvo do e-commerce e vira habito geral, por isso, grandes empresas vem de fora para participar dessa consolidação de mercado. Tem muita  grana para vir mas ainda atem gap, se comparar com Israel é ridículo o crescimento.
Alberto Paradisi:
A internet explodiu no começo dos anos 90, a pauta dela é mais ampla que a inovação, envolve muitas variáveis. 
Compartilhamento é uma boa estratégia. Para conectar as pessoas que não têm acesso ao serviço de banda larga na internet, eles fizeram experimentos com balões etc, como será daqui a 50 anos, se tiver internet de graça daqui uns anos como será? Estamos no meio da quarta geração em direção a 5’ geração por volta de 2020, 2 paradigmas: aumentar a capacidade, na indústria para quem pode pagar. Para tal precisa ter mais equipamentos proporcionando mais velocidade, mas isso não ajuda aos que não tem conectividade. 
Para Pedro o futuro da industria de celular, qualquer coisa é chute para essa previsão, em países como USA já existem avanços, a conectividade tem margem de lucros menores que passa para compra geradores de conteúdo que existe mais dinheiro a ser feito (as pessoas querem consumir música, filmes, séries etc), então vender cisas através da internet é mais lucrativo. No Brasil ainda há um gap, as empresas ainda vendem estrutura, não há ainda a consolidação nos próximos anos. Provavelmente não dirigiremos e conversaremos através de hologramas etc como imaginou-se.
Um sonho? Internet intensiva de dados para promover projetos inovadores, cidades inteligentes: as tecnologias podem ser facilitadores - Alberto 
Crítica: o governo por taxar muito as tecnologias, a barreira de entrada que gera uma desigualdade gigantesca, por que tecnologia é gerador de oportunidade.
Ecossistemas de inovação e capital inteligente
José Eduardo Azevedo Fiates, diretor geral da CVentures Empreendimentos Inovadores e Participações
Sumeet Jain, diretor de Intel Capital
Roberto Kanter, diretor Executivo da Canal Vertical
Moderado por: Renata Guinther, superintendente da Área de Investimento (AINV) da Finep
José iniciou a fala fazendo uma contextualização sobre o INEI : Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação (formato Oscip).
Para Jose, trabalhar com recursos acadêmicos e com recursos de mercado (parceria com alguns fundos e angels) é a chave para inovação.  Ele tem uma aceleradora 2.5 que mistura o 2' setor com o 3' setor, busca impacto social mas tem que ser auto sustentável (a incubadora tem que ser auto sustentável). Para ele a única maneira de crescer é através de educação. Possuem uma plataforma de QDI para avaliar métricas do desempenho e novação dentro de um ambiente, os projetos são colocados lá e mentorados por eles, o papel do INEI é estimular  o empreendedorismo no Brasil. 

Sumeet Jain, diretor de Intel Capital

Diz o diretor da Intel que hoje eles preferem investir em mulheres empreendedoras :) 
O empreendedor no Brasil é um herói, ele tem que responder muita burocracia, modelos com vários nomes diferentes, com isso ele perde tempo, paciência e tem que ter criatividade… Se ele perde tempo, fica sem paciência e perde a criatividade. 


 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cobertura do maior evento de inovação (MIT Technology Review) no Rio de Janeiro

Nos dias 18 e 19 de novembro o Rio de Janeiro irá receber o evento EmTech Brasil 2015 (Encontro de inovação da MIT Technology Review) pela primeira vez no país e reunirá especialistas em tecnologia de todo o mundo. 

Por que estarei neste evento?

Primeiro porque se trata do mais importante encontro sobre tecnologias emergentes e inovação organizado pela MIT Technology Review, a revista do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), que é a mais antiga do mundo em seu segmento, em parceria com a Finep.

Segundo, porque como pesquisadora, (doutoranda no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio) e selecionada pelo Instituto Gênesis (IEL/ Firjan) no Meu Futuro Negócio, tenho interesse em aprender e me atualizar em pesquisas e projetos nas áreas relacionadas ao empreendedorismo, educação e inovação. 

Por que  farei a cobertura no blog?

A cobertura no Blog é uma forma de indexar a informação colhida nos dois dias para fins de pesquisa e aprimoramento profissional. A divulgação faz parte de uma escolha pessoal (economia colaborativa e contrapartida social)  <3 nbsp="">

A conferência:
Tem como slogan O futuro da tecnologia, contará com a participação de conferencistas brasileiros e estrangeiros, que debaterão com 800 cientistas, empresários, jovens inovadores, pesquisadores e empreendedores as mudanças tecnológicas e suas tendências, aquelas que transformarão o futuro.

Temas de destaque:
Energia nas cidades, indústria aeroespacial, água e tecnologia, educação do futuro, desafios da medicina, inovação empresarial, dispositivos inteligentes, inteligência artificial, e moedas virtuais e e- commerce, entre outros.

As conferências EmTech acontecem nos Estados Unidos, México, Equador, Colômbia, Espanha, Singapura e Hong Kong. 

Os 800 participantes poderão conviver, durante dois dias, com professores do MIT, representantes do Media Lab (mais importante centro de inovação do planeta, que fica no MIT), e destacados especialistas brasileiros, professores locais e estudiosos de inúmeras áreas do conhecimento. Também haverá uma área de demonstração de protótipos de produtos e demonstrações de novidades tecnológicas de parceiros do evento.

A EmTech Brasil conta com o patrocínio institucional da FINEP, com patrocínio global e Venture Point da Apex-Brasil, patrocínio global do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, patrocínio inovador da B2W e patrocínio da Embratel / Claro. Tem também o apoio institucional da Prefeitura do Rio de Janeiro / Fundação Cidade das Artes e Sebrae, e o apoio institucional regional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mais informação:
www.emtechbrasil.com @EmTech_BR / #emtechBR @techreview_br

FB: /emtechBR FB: /brtechreview


Este é o link do programa, acompanhe no blog as atualizações e cobertura da conferência.

sábado, 3 de maio de 2014

indicação de site TIPOGRAFIA


Typography in ten minutes




This is a bold claim, but I stand be­hind it: if you learn and fol­low these five ty­pog­ra­phy rules, you will be a bet­ter ty­pog­ra­ph­er than 95% of pro­fes­sion­al writ­ers and 70% of pro­fes­sion­al de­sign­ers. (The rest of this book will raise you to the 99th per­centile in both categories.)All it takes is ten min­utes—five min­utes to read these rules once, then five min­utes to read them again.
Note to new vis­i­tors: This book isn’t sup­port­ed by ban­ner ads. It’s sup­port­ed by read­ers like you. If you find this tu­to­r­i­al valu­able, see how to pay for this book.And of course, don’t over­look the oth­er ma­te­r­i­al—see the ta­ble of con­tents.


Ready? Go.
  1. The ty­po­graph­ic qual­i­ty of your doc­u­ment is de­ter­mined large­ly by how the body text looks. Why? Be­cause there’s more body text than any­thing else. So start every project by mak­ing the body text look good, then wor­ry about the rest.
    In turn, the ap­pear­ance of the body text is de­ter­mined pri­mar­i­ly by these four ty­po­graph­ic choices:
  2. point size is the size of the let­ters. In print, the most com­fort­able range for body text is 10–12 point. On the web, the range is 15–25 pix­els. Not every font ap­pears equal­ly large at a giv­en point size, so be pre­pared to ad­just as necessary.
  3. line spac­ing is the ver­ti­cal dis­tance be­tween lines. It should be 120–145% of the point size. In word proces­sors, use the “Ex­act” line-spac­ing op­tion to achieve this. The de­fault sin­gle-line op­tion is too tight; the 1½-line op­tion is too loose. In CSS, use line-height.
  4. line length is the hor­i­zon­tal width of the text block. Line length should be an av­er­age of 45–90 char­ac­ters per line (use your word-count func­tion) or 2–3 low­er­case al­pha­bets, like so:
    abcde­fghijklmnopqrstu­vwxyz­abcde­fghijklmnopqrstu­vwxyz­abcd
    In a print­ed doc­u­ment, this usu­al­ly means page mar­ginslarg­er than the tra­di­tion­al one inch. On a web page, it usu­al­ly means not al­low­ing the text to flow to the edges of the brows­erwindow.
  5. And fi­nal­ly, font choice. The fastest, eas­i­est, and most vis­i­ble im­prove­ment you can make to your ty­pog­ra­phy is to ig­nore the fonts that came free with your com­put­er (known as sys­tem fonts) and buy a pro­fes­sion­al font (like my fonts eq­ui­tyand con­course, or oth­ers found in font rec­om­men­da­tions). A pro­fes­sion­al font gives you the ben­e­fit of a pro­fes­sion­al de­sign­er’s skills with­out hav­ing to hire one.
    If that’s im­pos­si­ble, you can still make good ty­pog­ra­phy with sys­tem fonts. But choose wise­ly. And nev­er choose times new ro­man or Ar­i­al, as those fonts are fa­vored only by the ap­a­thet­ic and slop­py. Not by ty­pog­ra­phers. Not by you.
That’s it. As you put these five rules to work, you’ll no­tice your doc­u­ments start­ing to look more like pro­fes­sion­al­ly pub­lished material.
Then, if you’re ready for a lit­tle more, try the sum­ma­ry of key rules.


If you’re ready for a lot more, start at the fore­word and keep reading. TIPOGRAFIA (fonte)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

tabelas com preços de trabalhos - designer

Couro ecológico x couro sintético



Alguém me explica a diferença de "couro ecológico" pra "sintético" ou o vulgo "plástico"???

Porque as empresas usam a palavra "couro"? Por uma "ética" ambiental ou falta de ética em enganar o consumidor? (Tanto o couro quanto o sintético poluem). 


OBS- O couro ecológico que vem das seringueiras da Amazônia (de trabalho "sustentável") já teve a Hermès que fez parceria com uma empresa brasileira mas obvio que não deu certo - a tal empresa, de João Fortes (da família da construtura/ engenharia) deu calote milionário no BNDS e pelo que sei ficou por isso mesmo... 


Ao fazer essas perguntas descobri que existe um trabalho em cima da lei do couro (4888) justamente para educar, informar e combater a desinformação a respeito dessa confusão causada por empresas que se aproveitam dos conceitos de sustentabilidade para gerarem mais lucros. ‪#‎sustantávelFail‬

Não faz muito tempo que comprei uma bolsa de "couro ecológico" na loja Armani (AX) do Shopping Leblon e em apenas alguns meses de uso ela descascou. Uma vendedora da loja me viu no banheiro do mesmo shopping e me levou até a loja para eu trocar a bolsa - Uau! Superbacana #soquenão! A outra bolsa que peguei - que nem era tão bonita, também começou a descascar... Resultado: parei de usar. O preço? O mesmo de uma de couro sem ser de marca de luxo.

A notícia boa é que há como a gente denunciar as marcas que fazem isso!
Recebi hoje esse newsletter da loja Loungerie:



Reparem o nome que dão a necessaire de plástico!
Para denunciar basta entrar nesse site: lei do couro
e clicar aqui: denuncie
Segue conteúdo do site com objetivo de divulgar a iniciativa:
Sobre a lei:

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cobertura do evento com Gilles Lipovetsky

Cobertura do evento com Gilles Lipovetsky  sobre o mercado de luxo. 

Evento realizado pela Luxo Brasil no hotel Santa Teresa em março de 2013. 

Nota: 

Qualquer tentativa de exprimir os pensamentos do filósofo Gilles Lipovetsky não resultará em mais que uma ínfima visão de um todo complexo, parte de um repertório construído a partir de experiências que fazem dele um filósofo especial para tantos estudantes de moda, cultura e comportamento de consumo no Brasil.
Meu esforço mental em transformar pequenas anotações em um registro que preserva pelo menos os principais conceitos do que ouvimos tem por objetivo trazer para a escrita o que como expectadora consegui abarcar, dessa forma, ser imparcial é muito difícil.  
Espero que colegas de pesquisa possam contribuir para o enriquecimento desse registro me mandando seus comentários, notas e demais aspectos que eu tenha deixado de lado.
Por Janara Morenna.:


  "Gilles", para os mais chegados

Ali no hotel Santa Teresa a plateia toda parecia muito 'chegada' e à vontade com o pensador da (hiper)modernidade. Muitos já o conheciam pessoalmente e em um tom descontraído lá estava o papa do pensamento contemporâneo da moda, um semideus das escolas de design no Brasil. À vontade,  distribuía autógrafos, fotos e simpatia.
Dizem que Gilles faz um sucesso extraordinário aqui no Brasil, se olharmos pela quantidade de vezes que ele veio aqui e as reedições de seus livros... Sim, ele é referência para o universo pensante de moda, mas o filósofo da modernidade não fala só da moda.

Saio do simpático Gilles para entrar no universo do pensador, autor de
“Luxo eterno”, referência da palestra que deu origem ao texto que você lê agora. Lipovetsky lança seu olhar reflexivo, questionador e inspirador sobre o luxo moderno, ou como ele faz questão de assinalar: hipermoderno.

Para inicio de conversa ele levanta questões sobre “de onde vêm a primeira indústria do luxo”. Inicia sua analise citando o costureiro que deixa de ser artesão e passa a ser artista-criador, a criação é rápida mas não deixa de ser artística. 

Segundo o autor, a alta costura inventa a primeira indústria do luxo, onde você tem a figura do criador, do modelo criado ou protótipo, os consumidores e o modelo industrial. Para explicar o luxo hipermoderno, Lipovetsky define alguns pontos que ele elege como facilitadores do entendimento das transições do luxo no tempo:
1 – Antes a definição de luxo estava ligada a um luxo ímpar, exclusivo, raro e caro, para um número mínimo e selecionado de pessoas. Estava muito mais ligado a ideais e a normas sociais.
2 – Hoje existem vários estágios de luxo, dos castelos, anéis de diamantes, vestidos das super grifes que chegam a 100 mil euros até os ‘outros luxos’, que são parte de conjuntos de luxos mais “acessíveis”. Um exemplo são os perfumes grifados, uma pessoa pode não poder comprar um vestido Chanel de 80 mil euros, mas pode comprar um perfume a cada 1 ano com a imagem da marca.
Então o universo do luxo pode ser dividido à grosso modo em duas partes: a receptiva/ aberta e a exclusiva.
Na Europa, quase todas as pessoas compram pelo menos 1x ao ano algum artigo de luxo, seja um cosmético ou uma bolsa. É dessa forma que a indústria de luxo se renova. 

Se tudo é premium, nada é premium

A indústria de luxo busca o tempo inteiro (sem baixar o nível de qualidade) ter um público cada vez mais acessível: Atualmente as pessoas do marketing inventam novas formas de vender o luxo, como por exemplo, o premium que pode abranger tudo, como o café, que não é um diamante mas é vendido muito mais caro. Estamos em um período de névoa, ou seja, sem referência, mas há todo um jogo para agregar valor aos produtos. Vemos muito isso acontecer no transporte aéreo, agora existe a classe premium, grande trunfo do marketing, mas isso não é luxo.

Cada vez que desce mais o preço da marca, como a Pierre Cardin, que vendeu o nome para mais de 600 licenças, é o exemplo típico de uma marca que se suicidou porque se popularizou demais e da forma errada. O oposto ocorre por exemplo, com a Armani, que no começo faz Prêt- a- porter e agora faz alta costura, ao mesmo tempo Armani Jeans e Casual, Cafés Armani, bar e hotéis. E não é barato, mas isso mostra o oposto da Pierre Cardin, a marca subiu mesmo oferecendo produtos “acessíveis”, ou seja, a indústria de luxo é capaz dessas façanhas.

Dentro da explicação para as façanhas da indústria de luxo, Lipovetsky diz que um fator importante para o sucesso da marca no cenário atual é o sistema de distribuição seletiva, exemplo: Não se pode comprar Armani em um supermercado, nem em qualquer lugar. 

O luxo hipermoderno é múltiplo, tem várias categorias mas carrega o mesmo nome (marca).

A expansão do luxo data de muito tempo, como é o caso da Louis Vuitton (LV) que foi ganhando territórios, começaram com malas de viagens e foram para o marketing de luxo, que nada mais é que a junção das técnicas de administração, dentro do marketing, que antes só existiam em mercados (popular), com a lógica da moda, que é efêmera: “A loja muda sempre, a moda também, mas o luxo tem duração”. 
Dentro de um contexto em um ambiente de inovação, pensando em uma escala temporal, temos a moda e o luxo dialogando em uma dinâmica em que os métodos do grande consumo se aplicam através de inovações sistemáticas. Um exemplo disso é o perfume, antes somente uma marca de perfumes era lançada a cada 7 anos. Agora, há uma velocidade de quase uma por ano. As bolsas também são outro exemplo, antes eram artesanais, passavam de mãe pra filha, eram deixadas como herança e vinham assinadas, atualmente elas vêm todo ano, acompanhando a coleção. 
Luxo e publicidade
Em nome do luxo, a publicidade tinha que ser desprezada. Dentro do imaginário da cultura aristocrata, o produto era considerado ruim se precisasse de publicidade. Apesar que sempre fizeram publicidade, porém de uma forma diferente: discreta, que era considerada muito mais chic. Hoje os gastos com publicidade tomam conta de uma fatia de 15 à 20% do faturamento, e não são mais desenhos feitos por aristas e sim cartazes gigantes, o que antes seria considerado o cúmulo da vulgaridade para o luxo da forma antiga. 
fonte: mais que perfume (.blogspot)

Para ilustrar as colocações acima, Lipovetsky nos conta a história de um famoso joalheiro (que foi joalheiro do rei) que hoje vende sua imagem em outdoors no metrô e com direito a preço e tudo, o que foi considerado um escândalo no meio do consumo de luxo.
Então a discrição já não significa grandes coisas no cenário atual, vemos como as lojas de luxo são reformadas quando antes deveriam manter sua estética. Vemos a Jennifer Lopez fazendo propaganda para Coco Chanel em cartazes sensuais gigantes, coisa impossível antigamente, mas que a partir dos anos 90 a maioria das marcas de luxo faziam: o “pornô chic” (publicidade erótica).

Mas a comunicação da marca não se resume a publicidade. Hoje uma marca tem que pensar em tudo que faz. No mundo globalizado e conectado, a criatividade e excentricidade podem resultar em mídia.
A expansão e excelência das marcas também podem ser medidas pelas lojas espalhadas no mundo inteiro. Até os anos 70 haviam somente 2 lojas da LV, hoje são mais de 400. Na mesma linha temos o exemplo da Hermès, que passou de 1 loja para 350. Isso é o luxo hipermoderno, “hiper” vem de super/ acima, passamos de um numero pequeno para essa expansão, que no Brasil chegou há 10 anos atrás com as marcas e com certeza chegará na Ásia, África etc., pois, faz parte do plano de expansão. 
A questão da estética das lojas chama a atenção, enquanto na Europa tudo deve ser mantido, as casas são patrimônio (tombadas) no Brasil há uma liberdade para criar atmosferas excêntricas a partir de pesquisas que são feitas para analisar a cultura do lugar. As marcas estudam o mercado local e veem o que implementar. Esse foi o caso da Daslu, pioneira, que teve suas lojas construídas pelas próprias marcas, lembrando que a distribuição também é um meio de comunicação.
Luxo e arte
Esse vinculo sempre existiu, os modelos artísticos influenciavam o luxo antes e hoje. Temos o exemplo de marcas que contratam artistas para assinarem suas coleções. Como a LV que recentemente convidou os Gêmeos (artistas do grafite, brasileiros) sob o comando do estilista visionário Marc Jacobs que chama artistas para não só assinar suas coleções, mas também para falar de sua vida privada, como se representasse uma espécie do imaginário da referida marca.

Vik Muniz para LV
Fonte: inspireme (.com.br)
Extrapolando a questão do valor intangível que uma marca carrega, no mundo intelectual uma bolsa é uma bolsa, mas assinada pela “fulana” muda a abordagem, é a assinatura que vale. Essa relação que parece nova entre a arte e o luxo ocorre em diversas esferas, vai também para a vitrine. No caso da LV, há tantos cartazes com exposições de arte, que a vitrine até poderia ser confundida com uma galeria. Essa hibridação é que caracteriza o luxo contemporâneo. A fórmula é mais ou menos assim: pegue seu artista, faça o que achar melhor inspirando-se a partir da marca. Como é o caso recente da Prada que usou cantoras e atrizes americanas em performances para chamar atenção da mídia. 
Há possibilidades infinitas de criação que antes não eram permitidas, se você quiser escolher o arquiteto que gosta em um mesmo hotel, isso é possível, cada andar é decorado com um diferente. A experiência é fundamental.
A relação entre o luxo, o fator econômico e a arte pode ser vista das seguintes formas: Se a atenção for muito grande dentro da questão econômica, passa a imagem de mercantil e não há luxo sem ar de nobreza. Dentro da questão estética a arte passa esse ar de nobreza que é atemporal. YSL e Armani estão expostos no museu, representando a consagração do luxo com a arte.



http://1.bp.blogspot.com/_Ja8auhN1vtM/TG0oDzd2H6I/AAAAAAAAbKc/UiGcbno-Vbo/s1600/museulv.jpg
museu LV

Se hoje não há cultura de classe como com a nobreza antigamente, uma mulher de posses hoje pode comprar um jeans Zara e uma bolsa Dior. Há uma desregulação desse luxo. Antigamente não podia misturar, um nobre tinha que se vestir inteiramente seguindo a mesma linha, inteiro luxo. Hoje em dia há uma dissolução do “Total Look”, você pode misturar o popular com o luxo que é chic (Hi- Low).
fonte: sequinsofevents.com
O popular pode sonhar e comprar e se não puder comprar o original, pode comprar o fake (sabe-se que 5% do mercado de luxo hoje pertence ao fake, nas palavras dele: “uma praga”). Se eles querem sonhar em ter algo, então vão ter o falsificado, não existe mais o luxo para as classes privilegiadas, mais uma vez temos algo que se mistura, antigamente o gasto com o luxo era em um meio pequeno, com regras, “se come dessa maneira, se veste dessa outra”. Hoje, com a dinâmica da individualização os jovens vão se vestir com suas marcas de luxo mas vão misturar do seu jeito. O champanhe antes tinha uma forma de beber toda cheia de regras, hoje lançaram champanhe com pizza na Argentina, ou a “pizza champanhe” para eles (argentinos) essa mistura demonstra ‘atitude’ e é exemplo da desregulação do comportamento.
A fidelidade com as marcas deixa de existir por conta da quantidade. Antigamente era um prazer a mulher ter um perfume de "tal" marca. Ela usava a vida inteira aquele aroma. Usava-se até pingar uma gota nas cartas, era sinônimo da personalidade daquela mulher. Hoje há mais de 800 marcas de perfumes lançados por ano. Não há fidelização porque há muitas marcas. Os locais de luxo precisam merecer estar ali (concorrendo). É uma luta diária para merecer a confiança do consumidor. Cada marca busca uma forma diferente, umas fazem visitas para clientes especiais, outras constroem museus com moveis assinados por designers famosos, independente da forma o objetivo é vincular a ideia de prestígio para “fidelizar”, pois, se a marca passa uma imagem ruim, então o cliente escolherá outra.
Bvlgari que está dentro da LVMH atualmente, construiu dois hotéis, que nem dão tanto lucro, mas estão ali para criar uma imagem de fidelização, de nobreza.


Luxo blink blink e luxo pra si
A primeira ideia de desregulamentação do luxo foi dada pelo fenômeno da individualização. Antes a lógica vigente pertencia a relação com o outro, era a dos imperativos sociais obrigatórios, o reconhecimento do meio, a maneira de se afirmar etc. Em destaque havia o ‘outro’. As perguntas eram: qual a classe social e qual o status. O importante não é o produtivo. Era fundamental aparecer, e essa lógica se perpetua, haverá sempre novos ricos para mostrar seu sucesso.
O blink blink (consumo demonstrativo) está infestado aqui no Brasil, assim como há muito na China, Rússia e todos os países emergentes. No entanto há outro tipo de consumo, há um novo consumo voltado para si, mais íntimo, se dirige mais ao prazer com você e com seu corpo.
Lipovetsky narra uma historia entre ele e um taxista na França: o taxista foi a um restaurante caríssimo que poucos podem ir. No caso dele, há uma intenção de mostrar bom gosto ou que não quer ir o tempo todo ao Mc Donald´s. Segue a lógica do prazer, do gozo. Detalhe: O taxista faz isso somente de dois em dois anos com a esposa, economiza muito e um dia se permite esse “mimo”.
Seguindo essa lógica do consumo voltado pra si, que é o caso do homem que presenteava a mulher com uma jóia para mostrar que a amava, hoje, a mulher conquistou sua independência financeira e pode comprar a sua jóia porque gosta, consome para si. É algo da dimensão simbólica, é íntimo, não é mais da lógica da ostentação. Ele segue com exemplos, diz que quem viaja de primeira classe hoje não é para mostrar “sou rico” e sim para ter conforto, a maioria o faz pela experiência. Dentro dessa mesma dimensão, milionários gastam 20 milhões de dólares para ir numa estação espacial, o que eles querem é a experiência, é sentir, pagam por um sonho, que no luxo há sempre uma relação com o tempo.
O luxo e o tempo
Ir ao Mc Donald´s você esquece no dia seguinte mas quando você vai a um restaurante de luxo, (isso para quem não tem essa experiência sempre) fica no tempo. Por isso, as marcas trabalham na dimensão afetiva, na lógica das emoções temos essa dimensão estética.
A democratização dos desejos de luxo
Antigamente, como o luxo não era do popular, como dito antes, ele era considerado até desperdício. Hoje a indústria de luxo divulga a ideia de qualidade no lugar da de desperdício. Com a sociedade de consumo tal ideia foi introjetada de uma forma, que consumir luxo não é mais uma “loucura”. Entramos em outra lógica, do "de vez em quando". Essa lógica (pasmem!) representa 50% do faturamento das marcas de luxo. Ou seja, não só os milionários compram o luxo.

A crise e o Luxo

Gilles nos contou sua experiência quando foi chamado para prestar consultoria para marcas de luxo em plena crise econômica mundial. Enquanto falava sobre as sub-primes percebia que os números só cresciam, os lucros na indústria do luxo chegavam de 7 à 10% ao ano, enquanto empresários de outros segmentos se estressavam, os do luxo sentiam-se até envergonhados de contar as façanhas em números alcançados. Quando perguntado sobre a crise, o C.O. da Tod´s respondeu: “crise, que crise? Há chineses, brasileiros ou coreanos comprando, não vejo crise nenhuma”. 
fonte: accenture.com


Parece que o luxo ainda tem muitas décadas com o mundo globalizado somado a uma cultura hedonista e o mercado emergente. No futuro haverá dois extremos, o do "low cost” feito na China ou Indonésia e o oposto, os países ricos e desenvolvidos pensam nisso e é por isso que por exemplo a Alemanha exporta seus carros premium, segmento que não conhece a crise e a Hermès tem o faturamento aumentado em 20% ao ano, como pode isso em plena crise?

Sonho de consumo: Experiência, prazer e sedução.
Parece que a sociedade de consumo busca um desejo de qualidade de vida, um sonho. Na sociedade japonesa, o consumidor compra um produto pelo que ele é, pela sua história. O que seria preciso para que o consumidor de luxo parasse de comprar? Em uma sociedade hedonista o luxo traz experiências sensoriais, que provocam um certo prazer.
Então há uma função terapêutica nisso tudo, ou seja, compramos para sentir prazer. Uma mulher deprimida vai fazer compras, vai comprar um vestido no lugar de ir à igreja, que antes representava o lugar para determinados estímulos emocionais. Hoje no lugar da igreja temos o Village Mall, brincou Lipovetsky se referindo ao shopping de luxo carioca, recém inaugurado.
O autor nos coloca reflexões sobre o sentido do consumo e deixa seu recado como pensador e humanista, diz que não pretende querer criticar o mundo do luxo mas ressalta que é importante adotar outros valores também:
      “Pode haver um julgamento diferente (na relação do consumo de luxo) em relação a tudo que caminha em direção a qualidade, o que é bom, por outro lado, o sentido da vida não deve ser comprar marcas de luxo, isso não é aceito no aspecto moral, onde o meio se torna o fim, ou o ideal, o luxo não pode ser o ideal de vida e sim os valores, o que permite pensar. O consumo é necessário mas não pode ser o centro da vida sob um olhar humanista”.

Na era da internet
Antes eles não acreditavam (os managers e C.O.´s do segmento), hoje usar a internet faz parte da rotina da empresa, que extrapola indo para além da comunicação da empresa. Com qualidade perfeita, a marca pode ser visualizada no Ipad, o site virtual pode ter a mesma beleza da loja física. 


A loja virtual não é rival da física, mas pode ser “sensual” (no sentido dado pelo autor em suas obras). O virtual permite outros instrumentos, como a publicidade - que é caríssima, custa milhões para cada 25 segundos, enquanto na internet não custa nada e é sem limite de tempo.
O consumo não destruiu as relações de troca, o exemplo são as redes sociais, wikipedias onde todos são voluntários dentre, outros exemplos. Isso significa que o consumo não é tudo, o que é bom.
Nos anos 60, quando Lipovetsky era jovem, ele conta que ninguém da sua geração queria saber de luxo. Os jovens até rejeitavam usar as marcas que seus pais usavam, e hoje, olhem a reviravolta, isso significa que passamos de uma cultura de produtos para a cultura da marca, ou seja, a cultura da desejabilidade da marca. Passamos a uma sinalização das marcas.
Futuro do luxo
  
Em meio a muitas possibilidades para um cenário futuro de mercado, a de que haverá consumidores distantes às marcas, (a rejeição) será minoria. É só pensar nos carros alemães, os consumidores continuarão fieis.

Lipovetsky diz achar que o luxo continuará por conta de fatores como a pluralidade demasiada de marcas, produtos e mercados, então as referencias sairão ganhando, ou as marcas que são referência em um mundo de muita proliferação e incertezas.
“Isso não se usa” era de mãe para filha, hoje não há mais unidade de gosto, tanto que surge até o personal shopper, normal quando não há mais cultura de classe e as pessoas não sabem o que vestir, para Lipovetsky parece que isso continuará assim.

Tendência: Eco luxo
É uma contradição o produto de luxo ser poluidor nos dias atuais. Todos buscam vender um luxo responsável, ecologicamente corretos.
Integrar esse paradigma é difícil mas eles tentam. Hotéis tentam fazer isso, por exemplo as piscinas com micróbio que limpam a água. Mas será que o consumidor é sensível a essas questões? A dimensão do ecológico? Na visão do autor, o consumidor que gosta de demonstrar (ostentar) não liga, mas ele não é o único consumidor. Ele também acha que não haverá saída para as marcas de luxo, terão de se adequar de alguma forma, pois mesmo as marcas que não são de luxo integraram isso, então as de luxo não podem ficar de fora, ele lembra a Brigitte Bardot em sua campanha contra as peles e diz que há uma ameaça – no sentido de ameaçar a imagem da marca, como no caso da Nike que fazia grandes discursos enquanto eram acusados de escândalos, de escravizarem pessoas e usarem mão de obra infantil. A ameaça deve ser evitada a todo o custo , pois os jovens são mais sensíveis a esse tipo de questão e nada é impossível, trata-se apenas de uma mudança de cultura.
ativistas contra Prada (contra o uso de peles etc)
Nike e trabalho infantil
Armani jeans ecológico





Espero ter colaborado com mais elementos para um entendimento maior sobre o mercado de luxo e suas projeções futuras e o posicionamento do Brasil no segmento.

Para encerrar agradeço a produção da Luxo Brasil e os patrocinadores do evento pelo convite e pelo sorteio! Fui a primeira com o melhor prêmio: uma carteira de couro da marca Marché DÁrty <3 font="">