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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quem? Uma justificativa por ser pluralista.

Mas afinal, o que você faz? (na verdade, quero dizer, quem é você?)


Pergunta que limita, mas já que estamos acostumados, vou tentar traçar o meu perfil em poucas palavras.


O que me move é o conhecimento, a criação e as artes.

Apesar da nossa cultura que segmenta a educação de forma verticalizada, das ciências que pretendem não dialogar com as outras ciências, da nossa visão do "expert"ou "hiper- especialista" eu não busco meu entendimento de mundo e profissional desta forma. 

Acredito que o mundo é pluralista e que posso conectar minha paixão pela arte com a moda, da moda como fenômeno social e cultural e tudo isso com os conceitos de sustentabilidade e até com a esfera do consumo e do marketing. 

Me formei em design de moda, fiz especialização em marketing, trabalhei bastante com  long´s, dei aula. No presente, fazer um mestrado é meu objetivo atual. Para o futuro, quem sabe, um doutorado em um lugar distante para ajudar a conectar ideias... Ah, sempre com muita arte!

Acredito que continuar conectando sonhos e pessoas dá sentido a (minha) vida, afinal todos os seres que me inspiraram eram altamente pluralistas! 

sábado, 1 de janeiro de 2011

Reflexão fim de ano, já obsoleta a sensação, mas o registro é eterno:

O relógio contou 365 dias roubando, só pode... A sensação foi de um ano record, quando vimos já era carnaval e sem seguida meio do ano, inverno, pressão de fim de ano e acabou. Pelo menos dizem que esse foi intenso, mais voltado para o conhecimento, seja ele interno: do encontro consigo mesmo, ou do externo: do trabalho e dos estudos.
Em plena crise de valores, de todos os lados vemos temas como a ética, a moral ou a espiritualidade serem retomados, debatidos e até revistos. Parece haver uma esperança de melhorar o mundo adequando princípios clássicos de conduta aos novos tempos.
O indivíduo nunca esteve tão em foco, as classes que não tinham acesso a bens de consumo agora usam e abusam do seu conquistado crédito, do seu sonhado “poder de compra” e assim crêem afirmar suas singularidades, ideal este disseminado pela cultura de massa, onde até o ocidente e oriente se misturam.
No mar do “ter” para “ser” a felicidade se encontra nas sacolas de compras, num shopping Center e se completa nos álbuns do facebook , pois só tem graça “ser” se puder mostrar, ou no verbo atual, compartilhar e curtir.
Na outra ponta há um movimento que marca a negação da caminhada pelo efêmero, sempre há o outro pólo, justamente para equilibrar, o fetiche de consumo dessa ordem é o paradoxal “novo luxo” baseado no princípio de uma vida a partir da simplicidade, da busca do ser para ter – e não o contrário, da valorização do auto conhecimento, de buscar amadurecimento, de fazer o bem, do culto pelo que é natural no lugar do artificial, do ócio criativo, de estar entre amigos, pelas causas ecológicas, enfim, de ter de novo um ideal.
Pouco a pouco saímos de um extremo baseado no exagero, na ostentação e na profusão de formas, cores e marcas (brand) e como em todas as épocas anteriores, depois do over vem o minimalismo, sentimos vontade de “limpar”, clarear, tornar leve. A moda é um exemplo disso. Vimos a volta dos anos 80´ em 2009 - 2010, mas já em 2011 os ditos formadores de opinião (pesquisa baseada em publicações de mídia segmentada), parecem querer se livrar de toda tralha e flutuar em nuvens de seda cor de rosa chá.


Paralelo à velocidade em que o mundo gira,  na janela virtual emergem frases impactantes, filosóficas e reflexões em tom moralista, que mesmo parecendo hipócritas, tais discursos têm lá sua função. Meu palpite é que tal advento seja o indício dessa busca desesperada por segurança. O resgate do que é eterno traz isso, a sensação de conforto e confiança no futuro.
Janara Morenna.:





Ilustrações: Janara Morenna

sexta-feira, 4 de junho de 2010

amigo Ferrado pela ferrari,



Ouvi o relato de um amigo que comprou umas camisetas da marca Ferrari e depois se ferrou com o cartão de créditos. Fiquei com a estória na cabeça e resolvi escrever o seguinte pra ele:

Querido amigo Ferrado pela ferrari,

Em uma análise que visa somente trocar impressões e não julgar seus impulsos e valores, me referirei a questão do consumo. Tenho estudado o marketing em várias modalidades e a que mais domino ou talvez me impressione creio ser a parte comportamental que é estudada pro consumo.

O valor agregado às marcas, os signos de distinção, discriminação, status, afinidade, afetividade etc, são alguns conceitos que tornam legitima ou não a valorização que se dá por determinado produto e marca.

A maioria de nós recebe passivamente essa lavagem de elementos, pois vivemos em um mundo social cheio de códigos, esse sistema não é sinônimo de liberdade embora se baseie em imagens que muito se assemelham a ela.

Então fico pensando em como pode a gente ser tão vulnerável de mesmo sabendo isso tudo, ainda assim achar o máximo comprar uma simples camiseta feita na China (whatever se foi na Europa , se foi o regime lá de mão de obra com certeza é similar ao chinês, feito em algum pueblo do sul da Europa)... Voltando, gastar rodos (veja bem, sei que preço é algo subjetivo, o valor é intangível) com a desculpa do afeto que temos pelo conceito envolvido... Essa camisa de malha ou sei lá que material, terá uma vida útil, envelhecerá, logo outras mais "bacanas" estarão no mercado, mas nessa hora tudo fica escuro e só vemos a grande oportunidade de consumir um fetiche, um bem que carrega uma carga emocional...

O rico tem o direito de comprar uma camiseta básica de algodão da Diesel por 500,00 no Brasil, o que quer parecer rico quando vê por 499 trata logo de aproveitar - aqui faço uma ressalva, não critico a questão da  liberdade de escolhas... Refiro-me a  idiotice que nos leva a comprar quando sabemos o que há por tras das marcas, independente do poder de compra/ classe social.

Beijos,
Janara.