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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Do bikini ao biquíni, um pouco da história dessa moda


Todo corpo contém inúmeros outros corpos virtuais que o indivíduo pode atualizar por meio da manipulação da sua aparência e de seus estados afetivos. (...) Roupas, cosméticos, atividades físicas formam uma constelação de produtos cobiçados destinados a ser o camarim onde o ator social cuida daquela parte como se fosse um cartão de visitas de carne e osso. (Le Breton, apud Stéphane Malysse, 2002, pg.79).

Foi a partir de D. João VI no século XIX que a praia-terapia se popularizou sendo incorporada na rotina dos cariocas. Na altura, João VI possuía uma prescrição médica com todas as recomendações para o banho que curaria seus problemas de pele, (inflamações causadas por mordida de carrapato). 
Desde então a “cultura de praia” começa a ter seus contornos no Brasil, sendo estimulada e institucionalizada a receber banhistas em barcas de banho: camarotes separados, forrados em cobre e suspensos por correntes de ferro. Para ter acesso ao famoso banho terapêutico o banhista deveria pegar antes um bote até chegar às engenhocas. Com o passar do tempo essa ideia inicial foi modernizada e os caixotes passaram a ser cabines de banho, muito comuns nas praias, encontradas até hoje na pequena praia da Urca, que serviam para a troca da roupa pelo traje de banho, nelas haviam frequentes avisos do tipo: “É expressamente proibido fazer furos nestas cabines; os encontrados serão entregues à polícia” (Del Priori, 2013, pg. 226).
Antes da década de 1920, uma pele morena era considerada vulgar por brancos ricos, porque essa cor estava associada a trabalho físico sob o sol. Nos anos 20, porém, americanos ricos começaram a passar férias na Riviera francesa, e logo se tornou moda estar bronzeado (Svendsen, 2004, p.99).
Tal “inversão de valores” atribuídos à cor da pele mudaria também toda a organização de tempo no espaço social. Ter status e conforto material passaria a significar ter tempo de ócio para a exposição ao sol, entretenimento social e práticas esportivas, que resultaria na revolução de costumes e que permitiria a distinção social através da aparência física bronzeada e torneada pelo esporte. Essas mudanças de hábitos contribuíram para o surgimento dos primeiros trajes de banho, que naquela altura foram considerados um insulto à moral, pudor e decência. Cabe dizer que em outras épocas os Egípcios e Romanos já utilizavam o método da helioterapia, assim como no sul da península Itálica (nos séculos IV e V) os trajes de banho, similares ao “tomara que caia” e calcinha de biquíni também já eram usados, porém o objetivo era a prática de esportes, pois eles tomavam nus os banhos de mar.

Severas leis de convívio eram implementadas para se frequentar a praia. Enquanto o maiô gerava escândalo (à partir de 1917) a ida à praia era regulamentada: os horários eram restritos e haviam códigos para a vestimenta – tudo conforme a norma moral da época, que impedia trajes considerados indecentes. Até mesmo a entonação da voz era controlada, era proibido falar alto nas praias. Tal lei foi logo derrubada apenas com um ano de existência. Copacabana teve seus primeiros postos de salvamento no ano seguinte, em 1918, enquanto que Ipanema era uma praia inexpressiva para os banhistas da época.
O período que se seguia, os anos loucos de 1920 foram marcados por reformistas, inconformistas e ativistas. O Brasil acompanhou esse período e as transformações causadas pela queda da hegemonia europeia quando os holofotes do mundo se voltavam para os Estados Unidos, que graças ao cinema disseminava sua cultura, como colocado pelo professor Ivo Pitanguy em entrevista para esta pesquisa. As mulheres se baseavam no modelo hollywoodiano de comportamento social, nos modismos e claro, nos padrões de beleza vigentes da época. Eram influenciadas pelas heroínas consideradas ousadas para época. Trabalhar, dirigir, fumar, praticar esportes eram práticas consideradas transgressoras, portanto, serviam de fonte de inspiração e modelo de vida.

Janara Morenna, doutoranda PUC Rio, Depto de Artes e Design e pesquisadora do Bikini Art Museu - Alemanha.

Trecho extraído da pesquisa de mestrado: link PDF completo  
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Vídeo YouTube "100 Years of Swimsuits | Condé Nast Traveler""

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Impressões do Congresso EmTech Brasil pela primeira vez no Rio de Janeiro


#emtechbr twitter 
A escolha do ambiente, Cidade das Artes na Barra não poderia ser melhor, apesar do trânsito que infelizmente já virou rotina para os cariocas, valeu muito a pena ver de perto e por dentro da construção imponente e desconcertante em suas linhas e volumes distribuídos de forma quase aleatória em um diálogo com a cidade e a natureza, mix que dispensa comentários quando se trata do Rio de Janeiro.
As palestras foram bem coordenadas, na maioria das vezes com visões complementares, poucas tiveram discursos antagónicos, que tiveram também sua importância dentro de um cenário em que certezas absolutas não permitem uma visão global, macro e complexa.


Cabe dizer que tais impressões são fruto de uma visão particular, não como pesquisadora e sim entusiasta do movimento do empreendedorismo que ocorre mundialmente. Pude ir como imprensa para fazer essa cobertura de impressões neste blog. No evento havia muita gente da PUC (pesquisadores e alunos), funcionários e empreendedores do Instituto Gênesis assim como diversos perfis de entusiastas de outros estados e países. 
A abertura do evento teve fala do diretor da MIT Technology Review - Jason Pontin, e teve como questões balizadoras os temas: Como vencer os desafios dos próximos anos? Como ter água, educação e prevenção de doenças em 2050?
"Tais questões são um tremendo desafio, a reposta nós não sabemos mas algumas soluções podem mudar radicalmente a vida das pessoas e essas soluções são parte de um esforço global que podem vir muitas vezes de novos empreendedores ao redor do mundo".
Teve a presença ainda de representantes do governo do Rio e prefeitura com patrocinadores como a Finep, o tônica central dos discursos girou em torno da integração da cidade olímpica, Rio 450 anos com planejamento estrarégico integrado a universidade, empresa, governo e sociedade para gerar a inovação. O desafio é tornar o Rio patrimônio do mundo não só pela sua beleza mas sim pela inovação, gestão, informação em tempo integral e plano de mobilidade.

        Viver em uma Cidade Inteligente, hoje.

No primeiro painel composto por Erin Baumgartner e Pedro Junqueira (moderado por Ronaldo Lemos):
Erin (diretora adjunta do Senseable City Lab do MIT) falou de sua pesquisa de como sistematizar as informações sobre a interface entre cidades, pessoas e tecnologias para implementação de escalas urbanas, organizacionais e individuais. A apresentação mostrou diversos mapas de trânsito de pessoas que podem por exemplo ajudar a colocar no lugar certo mais taxis onde as pessoas precisam, tudo isso usando inovação e Big Data. Para tal ela usa o Design como facilitador para mostrar de forma inteligível para que seja um mapa interativo. Foi perguntado a Erin sobre como podemos melhorar a tecnologia para que não aconteça por exemplo do Waze mandar o motorista entrar em uma rota perigosa como em pontos de drogas, como tratar essa interação em países com tais problemas - países em desenvolvimento. Para Erin isso é irônico pois em muitos países em desenvolvimento muitas vezes há um salto tecnológico, a tecnologia chega de ponta, as vezes mais avançada que nos EUA, como é o caso (citou um case) da Africa.
Pedro Junqueira, chefe executivo de Resiliência e Operações, Prefeitura do Rio de Janeiro: Pedro contextualizou a escolha do termo "Resiliência" usado com sentido de prevenção e proatividade já que existia uma cultura na cidade de "apagar incêndio" o tempo todo e isso acabava colocando em segundo plano as ações de planejamento de prevenção de acidentes e acontecimentos que precisam de atenção. Foi perguntado a ele sobre a questão da privacidade em relação ao centro de operações, a resposta foi que muitos dados fornecidos por parceiros como os novos empreendedores são mantidas em sigilo e não são repassados (ele garantiu pessoalmente isso), exatamente por este motivo eles apoiam que novos empreendedores conquistem seu lugar ao sol para ajudar a implementar sistemas que complementem as demandas da prefeitura, em especial do Centro de Operações.
Ao ser indagado sobre o acesso as centrais ligadas a prefeitura que confundem as pessoas (diversos números e setores) foi dito que o maior medidor de acontecimentos com impacto na cidade ocorre através da parceria entre a sociedade (o cidadão comum) e a imprensa, no que o twitter seria um ótimo medidor para alertar ocorrências. Neste caso ficou estranho, comentários sobre "vou ensinar meu pai de 80 anos a mandar um twitter para o Centro de Operações" surgiram. Em tempo, este é o Twitter alert: #operacoesrio para comunicação.

Tecnologia e inovação de uma perspectiva governamental - Estados Unidos e Brasil  

 Kenneth Hyatt, Subsecretário adjunto de Comércio Internacional do Departamento de Comércio dos EUA. A ideia principal para inovação é comercializar ideias, o que as companhias precisam para criar oportunidades incluindo pesquisa (P&D), integrando universidades, investindo em educação ciência e tecnologia para compor a inovação. Eles fazem investimentos promovendo  linhas de suportes de inovação, um exemplo de Open Data Service de tempo (meteorologia) nos USA. Para ele o governo pode inovar quando dá subsídio a inovação.
Luis Manuel Rebelo Fernandes, Cientista Político. O Brasil como em desenvolvimento não tem o mesmo nível de inovação em termos de tradição. Para eles (USA) como lugar de inovação o estimulo a inovação é sistemático, cada vez mais para a potencialidade de competição. Mesmo um país como USA vc precisa do suporte do governo, (imagina no Brasil?), por isso precisamos de programas públicos de suporte em inovação do governo em parceria com universidades e instituições como Cnpq, Finep, Capes, para ter instrumentos para promover inovação junto com empresas como Petrobrás. Com relação a novas empresas, as Startups, como menor risco de inovação o governo tem que dividir esse risco para ajudar esses empreendedores. 
A inovação pode ajudar a democratizar a tecnologia social, com a ciência e a tecnologia temos instrumento para melhorar a diferença social e gerar impacto real.  

Mediador: Como encarar os desafios do aquecimento global? 
Kenneth: Temos que adaptar soluções e identificar mais para onde as coisas vão, investir em onde as coisas das industria vão parar e quais os problemas as empresas estão enfrentando para energia eficiente. 
Luis: As condições para enfrentar tais desafios a partir de novas tecnologias são o apoio público, precisamos inovar em programas, agora já temos como incubar negócios em universidades (Instituto Gênesis por exemplo), investir em programas para iniciar uma parte desse movimento para fazer parte de materializar isso, temos o mesmo objetivo, trazer novas práticas  tecnologias e conceitos de mercado, acho que isso é desafio no mundo, trazer inovação para promover crescimento econômico na sociedade. 
Kenneth: Temos que trabalhar para simplificar o entendimento entre as empresas tornar fácil para os negócios, simplificar, trazer o Terceiro Setor, promover a comunicação e regularizar pequenos empreendedores. 

Big data e medicina personalizada

Renata Coudry, coordenadora médica do Departamento de Anatomia Patológica do Hospital Sírio Libanês
Leo Celi, fundador e diretor de MIT Sana
Moderado por: Kathleen Kennedy, presidente da MIT Technology Review e do MIT Enterprise Forum.
Renata: Mostrou como que a tecnologia diminuiu os custos para pesquisa na medicina, o  foco dela é a pesquisa sobre o o câncer. O que esperamos com isso? Que nós como indivíduos precisamos saber mais sobre nós mesmos, mapeando nosso corpo, células etc. precisamos aprender mais, dividir mais, precisamos mudar a forma de pensar, mudar o entendimento da medicina hoje, temos que inovar no jeito de pensar pois fazemos o mesmo há muito tempo.
Leo Celi: Health Care não é só sobre doenças, tem muito com o social, estilo de vida, economia, tecnologia. Ele quer nos próximos 5 anos ouvir mais sobre inovação em medicina personalizada e sobre colaboração entre países. 
A plateia fez uma pergunta sobre o conflito de interesses entre a indústria que lucra com a doença, como podemos evoluir nesse contexto: A reposta foi que a prevenção é a chave pois temos esses dois lados, contudo, a prevenção é muito difícil, é um desafio com muitos obstáculos.

        Demonstração: impressão 4D

Infelizmente o palestrante Skylab Tibbits, Diretor do laboratório Self-Assembly do MIT não compareceu, foi passado um video em que ele gravou seu processo de trabalho no lab, quem desejar obter o audio completo da sua fala entrar em contato com janaramorenna@yahoo.com.br, seguem algumas impressões e imagens: Seu trabalho consiste em desenvolvimento e experimentação de tecnologias de automontagem e materiais programáveis. Vimos construções de objetos que se auto organizam no espaço, como por exemplo cubos que ao flutuarem no ar podiam ir se reunindo de forma a formar um cubo maior e exato. Tais experimentos são realizados a partir da observação de materiais orgânicos (na natureza). 




Inteligência Artificial

Laisa de Biase, Pesquisadora do Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas da Universidade de São Paulo (USP)
Moderado por: Naldo Dantas, Secretário Executivo da ANPEI- Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras.
William Mark, Vice-presidente da SRI International: 
Para o Willian o desenvolvimento de novas tecnologias como pesquisa não tem foco comercial pois este seria um fator que atrapalha muito a inovação na interface com as instiuições de ensino, mas eles contam com a ajuda de parceiros. Fiquei impressionada com um exemplo de inteligência artificial (vídeo exibido) em que um casal esta fazendo compras e a mulher fica perguntando ao marido coisas tipo: quantas pessoas vão ao jantar, o que tem na geladeira e quanto podem gastar, ele fica respondendo tudo até que aparece a máquina que substitui essa tarefa chata (as feministas mais ouriçadas certamente não iam achar o exemplo dos melhores, quem disse que são os homens que dão conta dessas questões? E se sim então poderiam ser descartados nesse quesito de "utilidade" rs). Para não entrarmos em discussões polêmicas vou focar na mensagem principal: Com inteligência artificial ganhamos tempo em não nos preocuparmos com atividades domésticas cotidianas.
No futuro (bem próximo) vamos ter as maquinas que vão entender nossas emoções e isso ajudará muito a otimizar tempo e resolver problemas. A barreira maior entre maquina (robô) e humano é a confiança.

Como a tecnologia mudará o telejornalismo 

Rafael Coimbra, repórter especial da GloboNews e coordenador do Labmidia.com
Jason Pontin, diretor e editor da MIT Technology Review  
A fala do Rafael foi muito empolgante, ele é um ótimo palestrante e conseguiu da ruma boa ideia do que esta por vir: Realidade virtual ao vivo? pode ser uma pessoa mas pode ser um drone. Além de ver como quero, do angulo que quero com realidade virtual, porque não sentir? (uiii). - Rafael falando da co-autoria e quase que co-design do jornalismo interativo com uso de tecnologias como robótica, realidade virtual, 3D etc.)
E por que não automação? já tem jornalista robô, vão trabalhar assim com jornalista e multimídia, por exemplo para detectar padrões de twitter para mapear onde esta dando impacto? O Periscope, por exemplo, precisa de inteligência artificial. Vai ter bizarrices do tipo roubar as expressão de outra pessoa usando o avatar dela (a cara dela).
Qual o futuro do jornalista?  Trabalhar com multiplataforma, multimídia como gerenciador não “jornalista”, essa palavra é arcaica, vem de jornal. Essas novas tecnologias podem ampliar para diversas áreas, eh uma nova revolução que esta vindo.

 Reformulando o modelo educacional   

Israel Ruiz, Vice-presidente e diretor financeiro do MIT
Carlos Vogt, presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo - UNIVESP
Claudio Sassaki, fundador de Geekie
Moderado por: Pedro Moneo, diretor da MIT Technology Review em Português
Esse painel foi dos mais interessantes, pela dicotomia: de um lado uma visão crítica sobre o ensino e propostas realmente inovadoras e de outro uma repetição do modelo tirando do analógico (sala de aula) e levando para o virtual, isso seria inovação? 
Para Claudio Sassaki o ensino no Brasil não funciona e os brasileiros não aprendem nada. O crescimento de aprendizado do brasileiro é pior que o da Africa e isso impacta a economia por não transformar em produtividade.
Educamos em um modelo em série (massa) com formato para todos tratando de forma igual  pessoas diferentes que podem ser gênios mas não acreditam no seu potencial por conta da disciplinalização. Mandamos nossos filhos para escolas com modelos criados no século 19, a Geekie (empresa criada por ele) usa inteligência artificial para apreender como a pessoa aprende, inverte o processo de ao invés do aluno se adaptar ao conteúdo, o conetúdo se adapta a forma da pessoa aprender melhor.  
Pessoalmente achei a fala dele muito inspiradora com uma contrapartida incrível social, alem de mensurar a real transformação do aluno em termos de qualidade ele replica o método sem custo para alunos da rede publica de cada aluno pagante.
Carlos Vogt: Falou muito de flexibilidade usando diferentes gadgets de informações com aulas virtuais. Em resumo mostrou muitos dados estatísticos e uma proposta de revolucionar o desafio da inclusão na educação por meio do EAD, também inspiradora a fala mas a impressão que dá (opinião) é que um esta mais preocupado com a quantidade e o outro com a qualidade. 
O ensino que hoje é ultrapassado, cujo sistema verticalizado coloca as pessoas dentro de disciplinas excludentes e há um gap de trocas entre as ciências. De um lado vimos um projeto audacioso com muitos big numbers, muita apoio de fomento, Estado de São Paulo etc, com foco em aumentar estatísticas de inclusão no ensino. Do outro lado ouço a critica com relação aos RESULTADOS do sistema em voga e propõe um novo modelo testado e comprovadamente eficiente, Edgar Morin (pai do Pensamento Complexo pode iluminar mais essa questão), então pergunto (ninguém conseguiu fazer perguntas ao final do painel por falta de tempo):
1- Qual a inovação para além da troca da sala de aula para a plataforma multimída (virtual)? 
2- Como o palestrante Carlos garante a entrega com qualidade? 
3- Como mensurar isso? Se o aluno aprendeu?

Segundo dia (19/11) 
Tecnologia e prevenção de desastres
Victor Marchezini, Pesquisador Adjunto do Cemaden
Moderado por: Lindalia Reis, membro do Comitê de Inovação da ANPEI e Singularity University Fellow 2010
David Gascón, Co-Founder & CTO at Libelium  
Para Vitor infelizmente não existe a cultura de prevenção de desastres no Brasil, talvez por conta de mitos que o imaginário cultural produz como por exemplo de que no país não estaríamos sujeitos a problemas como terremotos, maremotos, tsunamis dentre outros. Hoje sabe-se que podemos sim ser expostos a problemas deste tipo, talvez influencia dos efeitos do impacto ambiental, estufa etc. A questão que emerge é: que tipos de tecnologias estão sendo usadas para previnir isso atualmente? Como trabalhar para  redução de problemas naturais, eventos extremos de chuvas etc? A resposta mais sensata esta na investimento para que haja inovação neste segmento.
Explorando novas fronteiras por meio da transformação de  ideias em impacto comercial 
Marco Muñoz, diretor de Iniciativas Globais no MIT

Andre Limp, supervisor de Projetos Setoriais da Apex 

Marco Munoz iniciou a fala apontando alguns números: 76 brasileiros estão hoje no MIT: "precisam de mais". Mesmo sendo uma escola pequena com somente 5 unidades  no mundo, o MIT possui 85 prêmios Nobel. Hoje conta com a escola de humanas pois sem humanas "você não pode ter líder e não pode mudar o mundo".
O sucesso precisa ser pautado no “do good”, ou seja, não importa o que você faça, que seja bem feito e para resolver grandes problemas do mundo. Precisamos de colaboração para isso, “mão e mente”: todos podem ter um grande projeto o jeito de desenvolver e implementar deve envolver a mente e as mãos (o famoso mãos a obra).   
Como conseguimos ser incríveis sendo tão  pequenos? Porque colocamos todos os alunos juntos trabalhando na interdisciplinaridade para resolver os problemas juntos (a fala dele lembra muito a forma como o design junta varias áreas da ciência fazendo a interface entre elas). 
Citou algumas contribuições do MIT no mundo: 
3D printer / bioengineering / www / radar / escolas diversas: Cal Tech, Babson, Singularity, ITA (Brasil) / mais de 100 patentes de somente um professor. 
O legal é que eles tem tudo isso (startup, revista, TLO, escolas etc e eles não tem medo de errar, assim como eles não tem interesse em ficar ricos, o dinheiro nunca está em primeiro plano).
Com relação as patentes,  eles ficam com quase tudo, o inventor ganha uma porcentagem pequena, igual acontece na PUC porque eles assumem o risco e a proposta é a contrapartida social e altruísta: "ideias são como commodities, bancar essas patentes é um bom negocio para o MIT? depende".
Pergunta: vimos crianças pequenas assistindo astronautas em sala de aula,  como internacionalizar isso pois uma experiência dessa se leva para vida...  Resposta: A universidade é boa porque faz boa escolha de seleção de alunos, tem que ter uma boa ligação entre universidade e escola ensino médio, o governo tem fantásticas ferramentas que não são usadas, não podemos ter medo de usar essas ferramentas, eles (MIT) são tão pequenos e conseguem fazer coisas incríveis então com colaboração podemos fazer o mesmo. 
Pergunta: Nao temos patente de software apenas registros, isso causa atraso para o Brasil? Resposta: O desafio das leis são adaptação e aplicação delas (recomendo ler mais as leis para darem subsidio para industria). 
Pergunta: Como ocorre a propriedade intelectual se as duas instituições trabalharem juntas? (BR + MIT): Resposta: A patente é muito cara, tem a licença que eles usam, as pessoas pessoas que vão ate ela são estudantes, quando MIT paga pela patente eles ajudam os estudantes a montar startups, por isso existem tantas lá, os estudantes tem facilidade, não para fazer dinheiro (senão perde tempo) tem que ter uma missão maior para além de ganhar dinheiro, se isso acontecer é fantástico, se os estudantes não usam a licença por alguns anos eles tiram a licença para outros usarem, eles querem implementar não lucrar, gerar contribuição para sociedade. 
Pergunta: O Brasil poderia lucrar muito mais se seguisse o exemplo do MIT, eles poderiam fazer algum projeto aqui? Resposta: Eles não gostam de ter unidade fora de Boston, eles trabalharam em Singapura e foi maravilhoso mas eles não querem criar mais MIT, eles querem que nós criemos aqui as nossas porque acham que os problemas do Brasil precisam ser resolvidos pelos brasileiros. "Indivíduos podem mudar as coisas e não instituições. Vocês podem mudar tudo, fazer melhor, vejam quantos exemplos aqui..." (referindo-se aos empreendedores ganhadores dos prêmios com menos de 35). 
Pergunta: Sobre a insegurança de ter uma ideia roubada, plagiada: Não tenha medo de alguém roubar suas ideias, proteja-a mas comece a trabalhar porque ideia é commodities, eles “roubam" a sua ideia para outra e outra ideia…
Palavras finais, muito inspiradoras:
"Nós temos muito pouco tempo nesse mundo e algo que pode nos fazer feliz é fazer inovação!" (inovação como legado de vida). 
Cerimônia de premiação dos Inovadores com menos de 35 Brasil

Internet para todos 
Alberto Paradisi, vice-presidente de Pesquisa e Inovação do CPqD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
Pedro Doria, colunista de tecnologia do O Globo
Moderado por: Pedro Moneo, diretor da MIT Technology Review em Português 
Pedro nos deu uma contextualização do momento no Brasil e mundo: 
Onde estamos agora? Somos 95 milhões de usuários, metade dos brasileiros usam rede social: exemplo 21 minutos por dia de redes sociais, mais que USA. Celular representam hoje 23% usuários tem internet, 75% dos celulares vendidos são smart phone, mais da metade usa whatsapp (90%), mas tudo pertence ao Facebook e a outra metade ao Google. Usamos o celular a toda hora literalmente (nossa segunda tela após a retina).
Browser vs apps? 86% usam browser. Vai vir dinheiro para internet de outros veículos (falando de aproximadamente 12 bilhões de reais de $ publicitário). Estamos entre os 10 maiores mercados de e-commerce do mundo, ainda ocupa share pequeno de 4% comparado com varejo comum. A crise pegou menos cresceu 15% o que é um crescimento enorme.
Moda e beleza se torna o principal alvo do e-commerce e vira habito geral, por isso, grandes empresas vem de fora para participar dessa consolidação de mercado. Tem muita  grana para vir mas ainda atem gap, se comparar com Israel é ridículo o crescimento.
Alberto Paradisi:
A internet explodiu no começo dos anos 90, a pauta dela é mais ampla que a inovação, envolve muitas variáveis. 
Compartilhamento é uma boa estratégia. Para conectar as pessoas que não têm acesso ao serviço de banda larga na internet, eles fizeram experimentos com balões etc, como será daqui a 50 anos, se tiver internet de graça daqui uns anos como será? Estamos no meio da quarta geração em direção a 5’ geração por volta de 2020, 2 paradigmas: aumentar a capacidade, na indústria para quem pode pagar. Para tal precisa ter mais equipamentos proporcionando mais velocidade, mas isso não ajuda aos que não tem conectividade. 
Para Pedro o futuro da industria de celular, qualquer coisa é chute para essa previsão, em países como USA já existem avanços, a conectividade tem margem de lucros menores que passa para compra geradores de conteúdo que existe mais dinheiro a ser feito (as pessoas querem consumir música, filmes, séries etc), então vender cisas através da internet é mais lucrativo. No Brasil ainda há um gap, as empresas ainda vendem estrutura, não há ainda a consolidação nos próximos anos. Provavelmente não dirigiremos e conversaremos através de hologramas etc como imaginou-se.
Um sonho? Internet intensiva de dados para promover projetos inovadores, cidades inteligentes: as tecnologias podem ser facilitadores - Alberto 
Crítica: o governo por taxar muito as tecnologias, a barreira de entrada que gera uma desigualdade gigantesca, por que tecnologia é gerador de oportunidade.
Ecossistemas de inovação e capital inteligente
José Eduardo Azevedo Fiates, diretor geral da CVentures Empreendimentos Inovadores e Participações
Sumeet Jain, diretor de Intel Capital
Roberto Kanter, diretor Executivo da Canal Vertical
Moderado por: Renata Guinther, superintendente da Área de Investimento (AINV) da Finep
José iniciou a fala fazendo uma contextualização sobre o INEI : Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação (formato Oscip).
Para Jose, trabalhar com recursos acadêmicos e com recursos de mercado (parceria com alguns fundos e angels) é a chave para inovação.  Ele tem uma aceleradora 2.5 que mistura o 2' setor com o 3' setor, busca impacto social mas tem que ser auto sustentável (a incubadora tem que ser auto sustentável). Para ele a única maneira de crescer é através de educação. Possuem uma plataforma de QDI para avaliar métricas do desempenho e novação dentro de um ambiente, os projetos são colocados lá e mentorados por eles, o papel do INEI é estimular  o empreendedorismo no Brasil. 

Sumeet Jain, diretor de Intel Capital

Diz o diretor da Intel que hoje eles preferem investir em mulheres empreendedoras :) 
O empreendedor no Brasil é um herói, ele tem que responder muita burocracia, modelos com vários nomes diferentes, com isso ele perde tempo, paciência e tem que ter criatividade… Se ele perde tempo, fica sem paciência e perde a criatividade. 


 

sábado, 3 de maio de 2014

indicação de site TIPOGRAFIA


Typography in ten minutes




This is a bold claim, but I stand be­hind it: if you learn and fol­low these five ty­pog­ra­phy rules, you will be a bet­ter ty­pog­ra­ph­er than 95% of pro­fes­sion­al writ­ers and 70% of pro­fes­sion­al de­sign­ers. (The rest of this book will raise you to the 99th per­centile in both categories.)All it takes is ten min­utes—five min­utes to read these rules once, then five min­utes to read them again.
Note to new vis­i­tors: This book isn’t sup­port­ed by ban­ner ads. It’s sup­port­ed by read­ers like you. If you find this tu­to­r­i­al valu­able, see how to pay for this book.And of course, don’t over­look the oth­er ma­te­r­i­al—see the ta­ble of con­tents.


Ready? Go.
  1. The ty­po­graph­ic qual­i­ty of your doc­u­ment is de­ter­mined large­ly by how the body text looks. Why? Be­cause there’s more body text than any­thing else. So start every project by mak­ing the body text look good, then wor­ry about the rest.
    In turn, the ap­pear­ance of the body text is de­ter­mined pri­mar­i­ly by these four ty­po­graph­ic choices:
  2. point size is the size of the let­ters. In print, the most com­fort­able range for body text is 10–12 point. On the web, the range is 15–25 pix­els. Not every font ap­pears equal­ly large at a giv­en point size, so be pre­pared to ad­just as necessary.
  3. line spac­ing is the ver­ti­cal dis­tance be­tween lines. It should be 120–145% of the point size. In word proces­sors, use the “Ex­act” line-spac­ing op­tion to achieve this. The de­fault sin­gle-line op­tion is too tight; the 1½-line op­tion is too loose. In CSS, use line-height.
  4. line length is the hor­i­zon­tal width of the text block. Line length should be an av­er­age of 45–90 char­ac­ters per line (use your word-count func­tion) or 2–3 low­er­case al­pha­bets, like so:
    abcde­fghijklmnopqrstu­vwxyz­abcde­fghijklmnopqrstu­vwxyz­abcd
    In a print­ed doc­u­ment, this usu­al­ly means page mar­ginslarg­er than the tra­di­tion­al one inch. On a web page, it usu­al­ly means not al­low­ing the text to flow to the edges of the brows­erwindow.
  5. And fi­nal­ly, font choice. The fastest, eas­i­est, and most vis­i­ble im­prove­ment you can make to your ty­pog­ra­phy is to ig­nore the fonts that came free with your com­put­er (known as sys­tem fonts) and buy a pro­fes­sion­al font (like my fonts eq­ui­tyand con­course, or oth­ers found in font rec­om­men­da­tions). A pro­fes­sion­al font gives you the ben­e­fit of a pro­fes­sion­al de­sign­er’s skills with­out hav­ing to hire one.
    If that’s im­pos­si­ble, you can still make good ty­pog­ra­phy with sys­tem fonts. But choose wise­ly. And nev­er choose times new ro­man or Ar­i­al, as those fonts are fa­vored only by the ap­a­thet­ic and slop­py. Not by ty­pog­ra­phers. Not by you.
That’s it. As you put these five rules to work, you’ll no­tice your doc­u­ments start­ing to look more like pro­fes­sion­al­ly pub­lished material.
Then, if you’re ready for a lit­tle more, try the sum­ma­ry of key rules.


If you’re ready for a lot more, start at the fore­word and keep reading. TIPOGRAFIA (fonte)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Impressões sobre o 1° Congresso Brasileiro de Moda - 2° dia

O segundo dia do Congresso teve a primeira mesa coordenada pelo prof. Dr. Cláudio Freitas Magalhães, da PUC. O tema proposto foi o design como fator de diferenciação – e como gerar valor por meio do design.  

Ricardo Leite da empresa Crama de design estratégico iniciou sua fala nos fazendo pensar sobre o panorama de um mundo completamente estagnado pela informação, consumismo, novas tecnologias e a rapidez com que um objeto novo se torna obsoleto antes mesmo que  você comece a aprender a usar todas as  suas funções.  Para ilustrar suas compreensões sobre o papel do design como diferencial, Ricardo citou experiências com sua filha de 10 anos, que já percebe o mundo de um prisma onde a tecnologia está harmonicamente integrada a sua rotina – e que conceitos sobre a sustentabilidade e ecologia também já foram absorvidos pela pequena, que já entende e valoriza a informação sobre o consumo consciente.

O designer citou o Steve Jobs para falar sobre inovação. Inovar na sua visão é uma atitude que sempre existiu, intrínseca ao ser humano que para sobreviver – e perpetuar, como disse Darwin, sempre teve que usar sua criatividade e inovar.

Para Ricardo a palavra inovação está em alta e estamos vivendo em uma época de questionamentos que partem de todos os setores da sociedade. Ele defende que hoje em dia as pessoas estão mais exigentes e não ficam passivas à falta de criatividade, o que torna o mundo mais inspirado – marcas, empresas e designers precisam ser mais criativos para atender a uma economia que não segmenta mercado por público consumidor  e sim com o olhar sobre um homem individual, um ser complexo com necessidades e desejos diferentes entre si. A moda nesse contexto está dentro de uma economia criativa de produtos customizados e assim sendo, serve de exemplo para outras esferas do consumo.

A segunda palavra da vez depois de inovação é sustentabilidade, na visão do diretor da Crama hoje vivemos uma época em que estamos em constante cobrança – desde a calça jeans que você compra até a latinha de alumínio, sempre há o apelo para o ecológico, precisamos entender também essa dimensão e seus impactos econômicos, pois cada dia mais as empresas (clientes da agencias publicitárias e de design estratégico) buscam vincular sua marca aos conceitos de uma ética ambiental.

Finalizou a fala e as imagens que usava de apoio concluindo que a inovação é a busca por soluções melhores para vida humana – mas que ela sempre existiu.

Após a fala de Ricardo, o jovem designer de moda vindo do sul do país se apresentou e contou sua trajetória profissional. Ele começou “pela porta dos fundos” – como fez questão de colocar. Já com dez anos de experiência, o Felipe Caprestano teve influencia direta de sua família, que como é muito comum no sul do Brasil, muitas são as fábricas e empresas familiares de moda e têxtil. Ele criou uma marca que amadureceu junto com ele, na época, Felipe conta que ele tinha apenas 17 anos e criou para si uma moda autoral e street – essa marca rendeu frutos e ele foi convidado para outro setor da indústria: a malharia. Lá, apesar das dificuldades que na voz dele, todos os designers  enfrentam ao entrar para uma empresa familiar, pelo seu aspecto fechado – mas que  com o advento da concorrência, dos chineses no mercado e as novas necessidades e demandas, mudanças foram necessárias e hoje o perfil dessas empresas mudou – se modernizou .

Felipe conta que precisou mudar a forma de organização interna e com isso obteve resultados melhores. Ele descentralizou o departamento de criação e imprimiu uma forma nova de trabalhar: sem se dar o luxo de ser autoral mas sem perder o estilo, dessa vez de forma camaleônica. Felipe conta que ao mesmo tempo integrou todos os funcionários na busca por soluções de criação – incluindo até o operador de máquinas. 

Para ele essas mudanças no cenário da indústria no Sul possuem também um forte apelo na busca por uma valorização e identidade – ele cita as diferenças entre os centros urbanos Rio de Janeiro e São Paulo e completa o pensamento dizendo que eles não querem ter que sair de lá, e sim ter o mesmo reconhecimento que os profissionais das capitais possuem – “queremos ter nosso lugar e ser reconhecidos lá ”- (no Sul).
Para fechar sua fala Felipe nos trouxe uma sessão de imagens de um trabalho autoral que ele faz artesanalmente, eram máscaras carregadas de conceitos. Através do seu próprio blog ele posta o passo-a-passo da ideia – da concepção e estilo até a prática: a modelagem, corte, colagem, costura. E depois ainda posa em fotos artísticas. Tal trabalho já lhe rendeu exposições e convites para palestras.

A estilista Karla Girotto me surpreendeu. Karla tem uma fala rápida, uma agilidade mental que faz com que você não pisque, pois ela conseguiu unir um tom informal, do designer, da artista sustentado pela fala bastante reflexiva embasada em pesquisas profundas – em alguns momentos você não sabia se estava ouvindo uma designer, uma empresária ou uma pesquisadora acadêmica, e isso tudo, essa mistura foi muito boa, talvez o equilíbrio certo para  um tema tão instigante: o processo de criação no dia a dia e a questão que emerge como principal relacionada ao tema proposto pelo congresso; o design como diferenciador.

De forma inovadora, Karla nos pediu para ao invés de olhar para um quadro cheio de imagens, olhar para o nosso interno e dentro dele buscar qual foi a última imagem que nos marcou e reverberou – ela disse que não usaria mais imagens, pois acredita que o mundo já está esgotado delas e que tal fenômeno além de saturar significados  nos deixa confusos de qual o caminho seguir para o trabalho de criação.

Para a estilista o principal trabalho que temos de criação é saber nos posicionar fazendo a pergunta: de onde vêm as coisas. Esse questionamento remete a reflexão sobre o mundo dos objetos: “e por que nasce um objeto em um mundo cheio de objetos?” – como na moda que lança algo que em seguida mata o que foi lançado para poder ressurgir com o novo (de novo e infinitamente).

Karla usou três figuras para ilustrar suas colocações: a cartografia, os mapas e o atlas. Na primeira ela diz que trata-se de uma paisagem em formação sem limites ou fronteiras fixas, que é psicossocial , que através dessa ferramenta você se aproxima dos desejos do mundo. Fazer isso não é tarefa fácil, ela usa a pesquisa e a sensibilidade além de se posicionar sempre com uma atitude crítica para além da pesquisa imagética. O sensorial é fundamental nessa esfera que é subjetiva, assim ela capta as informações (ou códigos) para criar um mapa.

O mapa é delimitado, também é uma ferramenta para abrir as portas para o campo da comunicação, nessa etapa usar por exemplo as mídias sociais como o facebook é fundamental para captar essa subjetividade acima citada e para fazer os recortes e criar pontes de informação. Um outro exemplo é o pensamento da coleção, através desse mapa você tem mais percepção do que pode ser mais usado, do que pode ser um objeto de desejo – com todos os desdobramentos que vão além do objeto, que cria vida, se prolonga e se une com o ser que pelo objeto cria uma relação de afeto.

Quando ela fala do atlas, o resume como o resultado das etapas acima, sendo ele o catálogo de tudo que foi visto; das reflexões, estudos, pesquisas e que se concretiza com o objeto. O objeto para ela talvez seja a ponte de tudo isso, é a forma de materializar e congelar algo tornando-o palpável, transformando-o em objetividade, aliás tal palavra vem de objeto, Karla fez pesquisas sobre a origem das palavras que ela mais usou e narrou o por que da palavra objeto e fetiche (no contexto moda e consumo). O objeto congela o tempo, amplia o mundo e desta forma devemos tomar muito cuidado ao criar objetos, pois, “tudo que criamos reverberará no mundo”. Surge a partir daí uma outra palavra de significado para Karla: a potência que faz com que as coisas sobrevivam na cultura material, ou, que faz um objeto não desaparecer .

Voltando a questão do fetiche na moda e no consumo, com uma vasta literatura, para Karla o design transcende aquilo para qual ele é feito. Citou o exemplo do IPhone da Apple, que é um telefone que é muito mais que um telefone porque carrega muito mais que sua função além da questão do simbolismo, do status, da ideologia e também da moda.

Uma observação que faço, quando as palavras chaves eram inovação e design associado à tecnologia, Steve Jobs era o nome citado, que por coincidência acabara de falecer (dia desse encontro, 06 de outubro de 2011).
Janara Morenna.



O 4° painel – a segunda mesa do segundo dia (06 de outubro) teve como coordenação o André Robic também diretor executivo e presidente do IModa e IBModa, os realizadores do evento. Para este último painel tivemos como foco das discussões a questão da marca como fator gerador de negócios.

O Fernando Sigal da marca carioca Reserva tinha muitos motivos para além do verbo expressar um constante sorriso nos lábios. Ao contrário do que muita gente pode imaginar, a empresa dos “Jet street wear” – aqui me atrevo a brincar com esses termos, não nasceu na rua mais badalada do Leblon já cheia de capital financeiro.  Os sócios Fernando e Rony Meisler, amigos de infância, lutaram muito para fazer a marca ser o que ela é hoje: forte, consolidada e com um diferencial importante que é o seu posicionamento no mercado.

Fernando nos contou como a ideia surgiu; do cotidiano uma simples observação fez com que ele e o seu sócio enxergassem uma oportunidade, a demanda em um mercado saturado, o da moda – perceberam que apesar das muitas marcas existentes, estavam todos ali em uma sala de musculação trajando a mesma bermuda – e olhando ao redor a constatação tomou força. A partir daí decidiram se aventurar na indústria da moda e começaram a descobrir o que queriam e como eles poderiam tornar um sonho em realidade e uma festa em um negócio lucrativo.

Da jornada contada pelo Fernando, peças que tiveram uma tiragem de 300 se tornaram logo  3 mil e assim nascia também a originalidade para escoar tais peças,  também um outro diferencial da marca. Dos momentos apertados de grana o jeito era contar com os amigos e fazer lançamentos em locais como galerias de arte, com direito a biscoito Globo e Mate Leão, jeito bem carioca e gostoso de ser. Essa fórmula low profile  e irreverente foi formando a cultura da marca – e assim uma identidade delimitada tomava cada vez mais forma e seu público crescia.

Do pequeno atelier na Gávea até a primeira loja em Ipanema, o empreendedor dizia com aquele sorriso, que a “festa estava dando certo” – a palavra festa se repetia em vários contextos de sua fala, a festa no meu entendimento fazia parte de um dos valores que compunham os elementos para a formação daquela marca – o conceito para o posicionamento certo, para um público segmentado e estudado, onde o life style carioca  é percebido em todos os detalhes da marca, da loja que parece ser um loft até a decoração com geladeiras antigas (lindas!) reformadas e cheias de Devassas geladíssimas – no fim das contas aquele cliente que estava só passando acabava capturado por uma vitrine diferente...  e se sentia tão em casa... tão estimulado pelo clima de festa com vendedores (que fazem parte daquele contexto, são geralmente os amigos do cliente) - que  acabava saindo com pelo menos uma sacolinha de lá e um pouco mais feliz – pelo menos até a fatura do cartão – mas esse já é outro assunto, que também faz parte da estratégia da marca.

Essa festa às vezes parecia que não ia dar certo, disse Fernando, em alguns momentos muitos questionamentos foram colocados pelos administradores da marca, por exemplo sobre o preço, na visão de um dos sócios, “um precinho nunca vira preção, mas um preção pode virar precinho” – com essa visão eles decidiram insistir no público jovem classe A – a elite carioca moderninha.

Em um segundo momento, já intuindo o quão poderiam crescer, notaram  que para que fosse de forma segura, teriam que  investir em conhecimento – o  que garantiria também mais eficiência para dar conta do atacado, das multimarcas, etc.  E assim surgiram outras possibilidades, a marca cresceu e deu frutos, que são as outras sub-marcas, inclusive uma delas conta com um sócio famoso, o Luciano Hulk.

Para Fernando uma parceria de sucesso é fundamental, ele deixa claro o quanto se orgulha de seu parceiro e amigo de infância, notei que existia uma relação de cumplicidade para além da afinidade e respeito, talvez esse tenha sido mais um fator determinante para a consolidação da marca, que como todos que sabem, uma sociedade é algo sempre muito complexo e perigoso.

Para fechar a apresentação e após exibir muitos números significativos da Reserva, Fernando fez questão de falar mais um pouco sobre como seu sócio Rony usava sua criatividade e ousadia em suas pesquisas e coleções, há algo vibrante por trás de sua fala, uma alegria que é exprimida através da imagem de uma foto do sócio em um backstage de desfile que exibia na estampa da camisa algo do tipo: “ O importante é saber rir de nós mesmos “ e ele completa a frase na certeza de que eles podem também mudar o mundo de alguma forma e para melhor –  aliás, saiu uma foto de um criminoso sendo preso com a camisa deles, aquele passarinho enorme estampado, perguntaram-lhe o que eles fizeram e ele disse que eles decidiram investir para a reinserção daquele indivíduo no contexto social. Aproveitei o gancho para saber como ele se posiciona com relação aos apelos para uma possível moda ecológica e como ele enxerga o papel da indústria e do governo para o incentivo do uso de tecnologia que facilitem tornar essa utopia possível e realizável.

Eles  possuem projetos com ONG´s e já usaram a malha de pet, mas como a maioria dos empresários de moda, confessou  carecer de informação para a alternativa, creio que pelo fato de não haver no mercado uma ação objetiva para aproximar empresas bacanas de possibilidades mais bacanas ainda. Minha pergunta foi em cima de uma crítica que faço com relação a dois fatores nesse contexto: 1 – a falta de incentivos do governo e indústria para fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias para tornar os processos da indústria têxtil menos impactantes ao meio ambiente, e 2 – para saber se eles usavam termos que remetem a esses conceitos de formas irresponsável, como infelizmente a maioria das empresas de moda faz, se apropriando de valores que não são coerentes com o que é vendido –de fato. Mas felizmente :-) o Fernando respondeu da melhor forma, não quis se estender porque não dominava o tema, disse ter interesse em pesquisar mais o assunto e com o sorriso no rosto passou a bola para o pessoal da marca Mercatto.

Você pode usar esse texto desde que me peça antes (IBModa está autorizado) e não esqueça dos créditos e fonte (este blog).

Janara Morenna.